"Gostava de voltar atrás no tempo e dar com um martelo na cabeça daquele jovem". O jovem que Nicklas Bendtner descreve é ele próprio, jogador que passou pelo Arsenal, pela Juventus, pela seleção da Dinamarca, mas que se perdeu no vício do jogo e no deslumbre do dinheiro fácil.
Numa biografia publicada no ano passado, agora revisitada pelo jornal inglês 'The Guardian', o jogador de 32 anos confessa que se deixou levar por um estilo de vida que rapidamente o deixou sem dinheiro. Neste momento, o dinamarquês está sem equipa, devido à covid-19 que paralisou a sua ida para a China, onde planeava abandonar a carreira se não chegasse mais nenhuma proposta interessante.
Arrependimento é uma palavra que entrou no vocabulário de Bendtner com força. "Quando estava lesionado e não podia viver a excitação de estar no campo, o jogo dava-me adrenalina. Obviamente, quanto maior fosse o risco, maior era a adrenalina. Por isso jogava alto", conta.
O avançado recorda um dia marcante no casino. Tinha 23 anos e era internacionalmente conhecido: "Estava demasiado bêbado para me sentar numa mesa. Delapidei 400 mil libras [cerca de 440 mil euros] em 90 minutos, dinheiro que não tinha, deixei a minha conta a descoberto. A cambalear consegui chegar à casa de banho e lavei a cara. Depois, procurei um caixeiro e arranjei mais 30 mil libras [cerca de 33 mil euros] para continuar a jogar."
Com 30 anos, Bendtner ficou de fora da seleção da Dinamarca para o Mundial de 2018. "Senti-me uma merda, chorei. Gostava de voltar atrás no tempo e dar com um martelo na cabeça daquele jovem. Fazê-lo perceber a oportunidade que teve, que tinha algo de especial que precisava de ser cuidado..."
Por Record