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Dois altos dirigentes da Federação de Futebol da Guiné-Bissau (FFGB) estão a ser investigados por suspeitas do desvio de 183 milhões de francos CFA (279 mil euros) da instituição, divulgou a Procuradoria-geral da República (PGR).
Num comunicado a que a Lusa teve acesso, o órgão responsável pela investigação informa que os dois altos dirigentes foram "constituídos suspeitos" de administração danosa, abuso de confiança e de falsificação de documentos, no âmbito do caso do "fretamento de avião para transporte da seleção nacional de futebol de São Tomé e Príncipe".
A Procuradoria não indica nomes, mas a imprensa desportiva local adianta que se trata do presidente da FFGB, Carlos Teixeira, e do primeiro vice-presidente, Celestino Gonçalves, ambos ouvidos nos autos, na quinta-feira, durante quatro horas, no Gabinete de Luta Contra a Corrupção e Delitos Económicos (GLCCDE).
De acordo com a informação da PGR, foi aplicada a medida de coação de obrigação de permanência no país, não podendo ausentar-se ao estrangeiro, nem do local onde vive sem a devida autorização judicial, ao presidente da Federação.
Carlos Teixeira terá ainda de apresentar uma caução de 82.800.000 francos CFA (126 mil euros), no prazo de 10 dias a contar da data de tomada de conhecimento.
Ao vice-presidente, Celestino Gonçalves foi aplicada a medida de coação de Termo de Identidade e Residência (TIR).
O Ministério Público entende estarem em causa "condutas relacionadas com o desvio" de 183.300.000 de francos CFA (cerca de 279 mil euros) disponibilizados pelo Governo guineense para o fretamento de um avião para o transporte ida e volta da seleção nacional de futebol de São Tomé e Príncipe a Guiné-Bissau.
O caso remonta a 14 de junho de 2023, data em que a seleção guineense defrontou a congénere de São Tomé e Príncipe num jogo relativo à fase de qualificação para a Taça das Nações Africanas 2023, entretanto, organizado em 2024, na Costa do Marfim.
O desafio decorreu em Bissau devido ao impedimento da Confederação Africana de Futebol (CAF) ao estádio nacional de São Tomé e Príncipe.
Ao invés de o jogo ser realizado num outro país, a Guiné-Bissau sugeriu que ocorresse em Bissau mediante o fretamento do avião para o transporte da seleção são-tomense e foi nessa base que o Governo disponibilizou mais de 183 milhões de francos CFA.
O Ministério Público guineense abriu um inquérito em 2024 por suspeita de que a verba não foi utilizada para o fim para que foi desbloqueada pelo Ministério das Finanças e, naquela ocasião, vários dirigentes da Federação foram ouvidos.
O processo foi arquivado por falta de provas até ser reaberto em março passado sob argumento da existência de "novos elementos probatórios" que teriam sido fornecidos ao Ministério Público guineense pela Polícia Judiciária do país em colaboração com a Interpol.
Numa cerimónia de apresentação do futuro Centro Técnico das seleções de futebol da Guiné-Bissau, numa localidade do interior, Carlos Teixeira, vulgarmente conhecido por Caíto, afirmou que vai continuar a projetar a imagem daquele desporto ao mais alto nível.
"A minha luta, a minha guerra, é contra aqueles que entendem que o Caíto é um obstáculo, aqueles que pensam que a Guiné-Bissau é apenas deles. A Guiné-Bissau pertence a todos os filhos desta terra", disse o dirigente para enfatizar que o país "está acima de todos".