A FIFA reagiu esta sexta-feira, em comunicado, à intenção da UEFA de boicotar as provas organizadas por aquele organismo - incluindo Mundiais - protesto contra o plano de Gianni Infantino para vender participações (um total de 20%) do Mundial de futebol a investidores privados, com a criação da chamada 'FIFA Forward Enterprise' (FFE) avaliada em cerca de 20 mil milhões de dólares (cerca de 17 mil milhões de euros).
"A FFE foi proposta com o único objetivo de garantir que todas as federações-membro da FIFA tenham a possibilidade de assumir um controlo significativo das oportunidades comerciais relacionadas com o futebol nos seus respetivos países, sem que isso afete o espírito ou a governação da FIFA ou do próprio futebol. Ninguém está a vender o futebol. Isto não é algo que a FIFA alguma vez considerasse. Todos têm o direito de expressar a sua oposição e de solicitar esclarecimentos adicionais, mas nenhuma entidade pode afirmar que representa as 211 federações-membro de todo o mundo. Deve ser permitido que cada federação-membro analise a proposta e possa opinar sobre como configurar o seu próprio futuro. Estes são os princípios democráticos da FIFA", pode ler-se no site da FIFA no documento que elenca váriaos elementos da proposta.
E prossegue: " A participação seria totalmente voluntária, caso a proposta da FFE avance, e seria financiada por investimento externo, sem qualquer cedência de controlo ou alteração da estrutura de governação da FIFA. Sem o apoio da maioria das associações membro, as atividades comerciais da FIFA permanecerão inalteradas. A FFE não será criada".
Leia na íntegra:
"Tomámos nota dos comentários apresentados pelas respetivas confederações em relação à proposta de criação da filial FIFA Forward Enterprise (FFE), e gostaríamos de abordar as questões que surgiram desde as primeiras informações publicadas na comunicação social na passada terça-feira.
Respeitamos os comentários e as preocupações expressas em público, e reiteramos o nosso compromisso com um processo de consulta aberto e democrático.
O nosso processo de consulta planeado foi alterado por informações erróneas nos meios de comunicação social. Continuaremos com este processo de consulta para garantir que cada federação-membro tenha a oportunidade de expressar o seu voto com base em factos.
A FFE foi proposta com o único objetivo de garantir que todas as federações-membro da FIFA tenham a possibilidade de assumir um controlo significativo das oportunidades comerciais relacionadas com o futebol nos seus respetivos países, sem que isso afete o espírito ou a governação da FIFA ou do próprio futebol.
Ninguém está a vender o futebol. Isto não é algo que a FIFA alguma vez considerasse.
Todos têm o direito de expressar a sua oposição e de solicitar esclarecimentos adicionais, mas nenhuma entidade pode afirmar que representa as 211 federações-membro de todo o mundo. Deve ser permitido que cada federação-membro analise a proposta e possa opinar sobre como configurar o seu próprio futuro. Estes são os princípios democráticos da FIFA.
Conforme a proposta:
- A FFE transferiria as atividades comerciais e operacionais da FIFA relacionadas com a organização de eventos para uma filial da qual a FIFA seria proprietária e sobre a qual exerceria um controlo permanente.
- O valor comercial gerado seria distribuído pelas 211 federações-membro, o que permitiria a cada uma delas realizar investimentos significativos no futebol dos seus respetivos países.
- Segundo esta proposta, cada federação-membro receberia 20 milhões de USD em fundos de desenvolvimento do FIFA Forward ao longo dos próximos quatro anos (2027-2030), independentemente do seu apoio individual.
- Este aumento de financiamento proviria dos rendimentos adicionais gerados pela FFE através de uma gestão mais eficiente das operações comerciais da FIFA, em benefício de todas as federações-membro.
- O Programa FIFA Fast Forward pressupõe um financiamento extraordinário e único de 20 milhões de USD adicionais por federação-membro — cuja participação seria completamente voluntária para todas as federações caso a proposta da FFE se concretize — e seria financiado através de investimento externo, sem ceder o controlo nem alterar de modo algum a estrutura de governação da FIFA.
- Sem o apoio da maioria das federações-membro, as atividades comerciais da FIFA permaneceriam sem alterações. A FFE não seria criada.
- Estes componentes representam o ponto de partida do processo de consulta e estão abertos ao debate como parte desse mesmo processo. Isto pode incluir a sua aprovação, rejeição ou modificação, seja na sua totalidade ou de forma individual.
Estes princípios sustentam a proposta da FFE: fundos de desenvolvimento sem precedentes, uma participação verdadeiramente global nas oportunidades comerciais do nosso desporto e plena autodeterminação através de um processo democrático para todas as federações-membro.
Por Sofia Lobato