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O espanhol José Enrique, ex-jogador do Liverpool, que terminou a carreira no ano passado, no Saragoça, descobriu há pouco mais de um mês que tinha um tumor raro na cabeça. O antigo jogador já foi operado, tem recebido dezenas de mensagens de apoio e vai agora iniciar a longa caminhada da recuperação.
"Estávamos reunidos com Chris Hughton, treinador do Brighton, e naquela noite a luz estava a incomodar-me. Cheguei ao hotel, pensei que era uma enxaqueca. Mas durante a noite tive uma dor de cabeça brutal e na manhã seguinte comecei a ver tudo desfocado. Depois comecei a ver a dobrar. Fui às urgências e, depois de 9 horas, fizeram-me um TAC. Vieram os neurologistas e constataram que uma veia na minha cabeça estavam colapsada, pelo que mandaram-me logo para o hospital St. George, em Londres, para ver um especialista. Passei lá duas noites", contou José Enrique ao jornal espanhol 'Marca'.
Um neurocirurgião informou, depois, o antigo jogador e a família que Enrique tinha um tumor raro. "Trata-se de um tumor localizado numa zona complicada da cabeça. É muito raro, é por detrás do olho."
Colocado perante a opção de ser operado em Inglaterra ou em Valência, o antigo jogador escolheu ficar perto da família. "Foi uma cirurgia complexa. O doutor Simal e a sua equipa operaram-me na semana passada. Entrei na sala de operações às 9 da manhã e saí às 6 da tarde. O tumor estava colado a uma artéria e foi uma intervenção complicada. Estive 24 horas na UCI e estou muito agradecido aos médicos. Foram os piores dias da minha vida, estive cinco dias na cama, sem me mexer."
Agora terá meses de recuperação pela frente. "Tudo isto faz que dê mais valor à vida. Os futebolistas têm uma vida irreal, pensas que és invencível", constata. "Não posso levantar peso, não posso baixar-me, tenho a cama adaptada para dormir numa posição a 30 graus para que a pressão sanguínea não suba na minha cabeça."
Seguem-se os tratamentos de radioterapia. "Só há quatro máquinas na Europa, as minhas opções são Zurique ou Paris. Vou ter de fazer 35 sessões, estarei aproximadamente um mês e meio fora. Quero ficar bem. Chegaram a dizer-me que podia ficar cego, mas recuperei a visão e os médicos até ficaram surpreendidos..."