A avançada portuguesa do Besiktas Lara Pintassilgo disse hoje viver um quotidiano de "normalidade" na Turquia, apesar da interceção de um míssil no espaço aéreo do país e da escalada de tensão entre Estados Unidos e Irão.
"No clube não se falou nada e também vi poucas notícias aqui sobre isso. Eles não costumam expandir muito a informação quando há problemas no país", afirmou a jogadora de 23 anos, sublinhando que o ambiente entre o plantel do Besiktas - maioritariamente composto por atletas turcas - é de total alheamento face ao conflito vizinho.
Na quarta-feira, as defesas da NATO na Turquia intercetam um míssil iraniano sobre o Mediterrâneo oriental, tendo os estilhaços da munição caído no extremo sul do país, sem causar vítimas.
Hoje, o Estado-Maior das Forças Armadas do Irão negou ter lançado um míssil contra a Turquia, cuja soberania do "país vizinho e amigo" dizem respeitar.
Numa primeira reação ao sucedido, a internacional portuguesa, que cumpre a sua segunda época em Istambul, explicou que a sua rotina permanece inalterada: "acordo, vou treinar e regresso a casa".
"Para já, sinto-me tranquila e segura", frisou.
A futebolista algarvia reconhece que a perceção de risco lhe chega, essencialmente, através de Portugal, por via de familiares e das redes sociais, uma vez que localmente existe um aparente bloqueio informativo.
Lara Pintassilgo recordou mesmo episódios passados de "blackout" digital na Turquia em momentos de tensão política para justificar a falta de alarido em solo turco.
Apesar da calma aparente, a avançada admite estar "mais alerta" devido à proximidade geográfica com o Irão e garante que não hesitará em regressar a Portugal caso a situação se torne insustentável.
"Certamente, se acontecer algo mais grave, eu volto para Portugal. Não posso estar sujeita a um ambiente assim", admitiu.
A avançada assegurou ainda que mantém contacto com a sua representante, que já em crises anteriores, como o sismo do ano passado, garantiu apoio logístico para um eventual repatriamento.
Pintassilgo acredita que o Besiktas não colocaria obstáculos à sua saída em caso de emergência.
Os Estados Unidos e Israel lançaram a 28 de fevereiro um ataque militar contra o Irão, tendo matado durante a ofensiva o 'ayatollah' Ali Khamenei, líder supremo do país desde 1989.
O Conselho de Liderança Iraniano assume atualmente a direção o país.
O Irão encerrou o estreito de Ormuz e lançou ataques de retaliação contra alvos em Israel, bases norte-americanas e outras infraestruturas em países da região como Arábia Saudita, Bahrein, Emirados Árabes Unidos, Qatar, Kuwait, Líbano, Jordânia, Omã, Iraque, Chipre e Turquia.
Desde o início do conflito, foram contabilizados mais de mil mortos, na maioria iranianos.
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