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Morte de Jesús de Miguel em campo está a chocar: «Numa paragem cardiorrespiratória tempo é vida»

Dozens of people gathered at Gate 9 of the stadium during an event organised by Tenerife supporters to pay tribute
• Foto: Europa Press Canarias / AP

Jesús de Miguel, avançado de 30 anos, morreu esta terça-feira depois de uma paragem cardiorrespiratória originada por uma violenta colisão no jogo de segunda-feira do Tenerife, clube que representava, contra o Andorra para a segunda divisão da Liga Espanhola 

O jogador ainda foi assistido pelas equipas médicas dos dois clubes antes de ser transportado numa maca para a ambulância que se manteve no exterior do estádio. Num primeiro momento Jesús de Miguel ainda foi reanimado, mas nas horas seguintes o seu quadro neurológico deteriorou-se e acabou por falecer no hospital. O clube espanhol já emitiu uma nota em que partilha estar "com o coração partido, um nó na garganta e sem conseguir acreditar que isto seja verdade".  

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O caso está a chocar a comunidade internacional e Bruno Lourenço Costa, diretor do serviço de Neurocirurgia da ULS Cova da Beira, partilha com a 'Sábado' "apesar de estes casos serem trágicos e chocarem, este tipo de atividade física têm riscos associados". "O risco faz parte do desporto", admite.  

Além disso, reforça que situações como estas "demonstram a importância de toda a população conhecer como se realizam as manobras de suporte básico de vida" porque "está estudado que existe uma janela de tempo de cerca de cinco minutos para a reanimação depois de uma paragem cardiorrespiratória e quanto mais cedo o socorro ocorrer melhor". "Numa situação de uma paragem cardiorrespiratória sabemos que tempo é vida, quanto mais tempo o coração estiver parado e o cérebro não receber oxigénio menor a probabilidade de alguém sobreviver", explica.  

Apesar dos avisos do especialista, Bruno Lourenço Costa reforça que neste caso Jesús de Miguel teve acesso imediato a duas equipas médicas especializadas e que acredita que teve acesso às melhores condições de segurança possíveis.  

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Quanto às razões começa por referir que não é possível avaliarmos as "razões exatas" sem conhecermos os resultados da autópsia, até porque "é preciso conhecer também se o jogador tinha alguma doença prévia, se encontrava a tomar medicação ou até se sofria de alguma doença cardíaca não conhecia".  

Infografia Jesús de Miguel

Olhando apenas para o conhecemos, Bruno Lourenço Costa chama a "atenção para o primeiro choque entre os dois atletas que se estavam a deslocar em grande velocidade, pelo que o impacto do choque se torna ainda mais gravoso". Tendo isto em conta, e sabendo que "o choque por si só é suficiente para causar lesões internas muito graves", o mais provável é que Jesús de Miguel tenha sofrido uma "arritmia fatal, uma lesão no miocárdio".  

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Ainda assim o neurologista reforça que "há um vasto número de causas de morte", incluindo um "traumatismo cervical, ou do tórax", mas até "a própria dor do choque pode ser tão grande que pode levar à morte".  

Assim sendo existem neste caso "dois mecanismos de lesão, por um lado a lesão causado pelo impacto direto e pela zona de impacto em questão, por outro a paragem abrupta da velocidade também pode causar lesões através do que chamamos de mecanismo de aceleração desaceleração".  

 

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Por Sábado
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