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Terramoto no futebol: UEFA boicota as provas da FIFA, incluindo Mundiais, em protesto com plano de Infantino

Terramoto no futebol: UEFA boicota as provas da FIFA, incluindo Mundiais, em protesto com plano de Infantino

É uma decisão com proporções catastróficas para o futebol planetário! As 55 federações que integram a UEFA decidiram, por unanimidade, boicotar todas as competições da FIFA, incluindo Mundiais masculino e feminino de seleções e de clubes, em protesto com o .

"A posição da Europa é clara. Nunca daremos legitimidade a este modelo. Ninguém tem a autoridade moral para vender aquilo de que é meramente fiel depositário para a próxima geração. Como resultado da discussão de hoje, nenhuma seleção nacional da UEFA participará em qualquer competição da FIFA enquanto estas propostas se mantiverem ativas, a menos que esta proposta seja abandonada na sua totalidade", pode ler-se no comunicado do organismo que rege o futebol do Velho Continente.

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A decisão surge após uma reunião de emergência, ditada pelo : ou dão luz verde ao plano até 19 de setembro, e em troca poderão arrecadar até 35 milhões de euros (40 milhões de dólares), ou então essa verba descerá para cerca de 8,7 M€ (10 milhões de dólares). "As associações nacionais de todo o Mundo enfrentam agora um ultimato: aceitar a captura irreversível das maiores competições de futebol ou sofrer as consequências. Isto não é uma 'decisão democrática', mas sim uma governação por intimidação - um ato de coerção indigno de uma instituição a quem foi confiada a tutela do futebol global", contesta a UEFA.

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A FIFA tem 10 mil milhões de dólares para distribuir a partir de 1 de janeiro caso a venda parcial do Mundial seja aceite pelas federações (verba que desce para 2,7 mil milhões se o plano for chumbado). Cada uma receberá já 20 milhões caso dê luz verde ao plano, num total de 40 milhões no ciclo entre 2027 e 2030. Mas a UEFA rejeita mercantilizar totalmente o futebol: "No momento em que investidores externos adquirem participações de propriedade em competições da FIFA, o futebol muda para sempre. O retorno comercial torna-se uma obrigação permanente. As expectativas dos investidores tornam-se uma pressão diária. A partir desse momento, cada decisão sobre o calendário internacional, cada decisão sobre os formatos das competições e cada decisão que molda o futuro do futebol deixa de ser orientada pelo que melhor serve a modalidade, passando a responder ao que melhor serve os acionistas."

"O Campeonato do Mundo não pode ser tratado como um produto de investimento. É um dos maiores legados desportivos do futebol. Foi construído ao longo de gerações por jogadores, seleções nacionais e adeptos em todos os continentes. Nenhuma parte dele deve ser alguma vez entregue a investidores privados. O Campeonato do Mundo não está à venda. É simultaneamente irresponsável e indefensável que uma proposta de tal relevância para o futebol tenha sido concebida em segredo e levada ao limite da aprovação sem qualquer consulta significativa com aqueles a quem foi confiada a gestão da modalidade. Isto não é apenas uma profunda falha de liderança, mas uma abdicação do dever da FIFA como guardiã do futebol mundial", remata a UEFA.

Para que a criação da 'FIFA Forward Enterprise' possa avançar, é necessário que mais de 50% dos 211 membros aceitem o plano, além do "apoio expresso" do Conselho da FIFA. Esta empresa passará a ser liderada por Infantino em 2031 (depois do final do atual mandato) e concentrará os principais ativos comerciais, como os direitos de transmissão televisiva e de patrocínio, das competições da FIFA, incluindo o Mundial. A ideia passa por vender cerca de 20% do capital a investidores privados e captar mais de 4 mil milhões de dólares. A FIFA está a trabalhar com o banco JPMorgan para estruturar a operação e o fundo Thrive Eternal de Joshua Kushner - irmão do genro de Donald Trump - é um dos principais potenciais investidores, conforme a própria organização confirmou ao 'The Times'.

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Ainda antes desta decisão da UEFA, de venda do Mundial a privados. O presidente da FIFA garante que é apenas uma "consulta", uma "oportunidade" e não uma "obrigação".

"O FIFA Forward Enterprise, ou FFE, é na verdade uma proposta, ou uma oferta. Faz parte de um processo democrático – um processo de consulta – e, acima de tudo, é uma oportunidade, não uma obrigação, e, como disse, marca o início do processo de consulta. Se, e apenas se, for aprovado pela maioria das nossas 211 Associações-Membro e pelo Conselho da FIFA, será uma subsidiária detida e controlada pela FIFA, consolidando as operações comerciais e de eventos da FIFA. Seria simplesmente a comercialização e organização de todas as competições detidas pela FIFA, juntamente com patrocínios, transmissões, licenciamento e novos negócios, em benefício das 211 federações-membro da FIFA; desbloqueando, contudo, valor comercial anteriormente não capturado. (...) É uma oportunidade de ouro para impulsionar o desenvolvimento do jogo a nível global. Mas, insisto, é apenas uma oferta, não uma obrigação. Temos o dever fiduciário de o fazer e estamos aqui para debater o assunto com todos", disse num vídeo divulgado no site da organização.

Por João Socorro Viegas
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