Cristiano Ronaldo driblou Luís Figo e revolucionou a eleição do melhor jogador português no estrangeiro, com base nos votos dos treinadores da Liga.
Vencedor de todas as oito edições, Figo perdeu o trono para o extremo do Manchester United e só Hélio (Vitória Setúbal) é que votou no capitão da Selecção Nacional em primeiro lugar. Já Ronaldo foi nomeado por 16 treinadores – apenas Paulo Bento não escolheu o nome do jovem talento –, com nove citações para o primeiro lugar!
“É óbvio que esta eleição é bastante gratificante. Sinto-me muito feliz, honrado e orgulhoso, principalmente por a votação ter sido feita pelos treinadores que actuam no campeonato português. Isso tem, de facto, um grande significado”, comentou Ronaldo a Record sobre a inequívoca vitória, com 27 pontos de avanço sobre Deco e 38 sobre Figo.
“É uma responsabilidade acrescida para mim, pois motiva-me a trabalhar cada vez mais e melhor no sentido de as minhas actuações valorizarem não só o meu clube como também o país que represento. Deixo a certeza de que tudo farei para que continuem a orgulhar-se de mim”, finalizou Ronaldo.
Factos
Jorge Andrade (Depor) e Tiago (Lyon) são as duas novidades em relação à votação de 2004 e há a registar algumas curiosidades.
Nenhum treinador votou no tridente da frente (Ronaldo, Deco e Figo, por esta ordem) e só Ronald Koeman (Benfica) e Paulo Bonamigo (Marítimo) escolheram os três, ambos com Deco, Figo e Ronaldo, respectivamente.
Nelo Vingada repetiu os votos do ano passado (o único que dá um ponto a Rui Costa), enquanto Hélio foi inovador na escolha do terceiro classificado, com uma dupla opção: Ricardo Carvalho e Paulo Ferreira.
E, já agora, foi a primeira vez que houve dez nomeados. O máximo de jogadores eleitos fora em 1997, na primeira edição, com 8.
Deco - Um vencedor nato
Apenas votado por 7 dos 17 treinadores inquiridos, o luso-brasileiro somou menos pontos em relação à votação do ano passado, mas ganhou uma posição e subiu do terceiro para o segundo lugar – continua atrás de Ronaldo mas já ultrapassou Figo.
Titular indiscutível no Barça e na Selecção Nacional, Deco é um jogador completo. Foi o português com mais votos na eleição do FIFA World Player’2005, com 24 pontos, à frente de Ronaldo (13). E a razão é simples: ataca com agressividade, defende com critério, passa exemplarmente bem e remata de qualquer posição, sobretudo se alguém estiver à frente. Nessa situação, é golo pela certa!
Além disso, Deco joga numa das equipas que melhor futebol pratica na Europa, com Ronaldinho, Eto’o e Messi. O passado já deu dois títulos (Liga e Supertaça espanholas), o presente é animador e o futuro é promissor. Não é a toa que o tratam por “Màgic”.
Figo - Talento indiscutível
Autor de uma das novelas mais longas do Verão, Luís Figo abandonou Espanha ao fim de 10 anos (cinco no Barça e outros cinco no Real Madrid). Os problemas com Vanderlei Luxemburgo e o afastamento do onze foram motivos de sobra para uma transferência. Fez as malas e ouviu propostas. Falou-se no campeão europeu Liverpool mas foi o Inter de Mancini quem sacou o extremo. Itália até é um desafio à sua medida – o que lhe faltava para calar os mais cépticos, com 33 anos.
No campeonato em que as defesas são bem mais cerradas do que no resto da Europa, o 7 “nerazzurro” precisou de dois meses e meio para superar as barreiras. Analisado o “terreno de jogo”, Figo terminou o ano em beleza, tal como o Inter, com dois golos. Prova de que, apesar de tudo, mantém intacto o talento. O crédito junto dos treinadores da Liga é que decaiu um pouco. Por isso, Figo não resistiu à erupção dos fenómenos Deco e Ronaldo.