José Mourinho foi dando, na última semana, o mote sobre o que pensa relativamente à Liga Europa ("não concordo que equipas da Champions se cruzem no caminho de outras que passam uma época inteira nesta competição") e à final propriamente dita ("o Ajax não me surpreende de todo").
Do que o treinador português não abdica, apesar de muito criticado por utilizar esse argumento sempre que fala sobre a performance da sua equipa, é de denunciar o excessivo número de jogos a que o Man. United foi obrigado: "Tem sido inacreditável mas eu sei que as pessoas gostam de mentir. As 38 partidas em 5 meses, isto é, desde janeiro, fazem de nós a equipa com mais jogos na Europa." Nesta perspetiva, Mourinho considerou até que a expulsão de Herrera na meia-final da Taça de Inglaterra com o Chelsea, que o afastou de Wembley, "foi uma bênção para nós" – seria incrível, de facto, ter de jogar a final da FA Cup só três dias do jogo decisivo da Liga Europa.
Sobre o Ajax, Mourinho nunca alinhou no fenómeno quase inexplicável que levou os holandeses ao embate de Estocolmo. "Não percebo por que motivo as pessoas estão surpreendidas por eles chegarem à final", afirmou recentemente. Indiferente à juventude dos holandeses ("a qualidade é o grande fator de distinção das equipas"), considera que "o Ajax faz sempre os investimentos certos nos momentos certos". "O clube tem um scouting muito bom, tal como o sistema de educação que enquadra os jovens", explicou antes de tirar a conclusão: "Os jogadores talentosos não chegam lá por acaso."
Por Rui Dias