Balanço: Vários casos e sem magia

Balanço: Vários casos e sem magia
• Foto: EPA

A CAN’2015 ficou marcada negativamente por três situações: o sorteio absurdo entre Guiné-Conacri e Mali para apurar quem iria aos quartos-de-final; os erros clamorosos de arbitragem que favoreceram a seleção da casa (Guiné Equatorial), permitindo-lhe a passagem aos “quartos” (prejudicando o Gabão) e às “meias” (prejudicando a Tunísia); e o escândalo na meia-final entre a Guiné Equatorial e o Gana – tudo porque os anfitriões estavam a perder e sem hipóteses de atingir a final! Não houve prevenção das autoridades nas medidas de segurança. E o futebol africano não merecia esta péssima imagem.

Mas, felizmente, houve muitos bons momentos de futebol, viram-se excelentes jogadores, e houve quase sempre fair play. Uma nota positiva. A seleção da Costa de Marfim foi uma justa vencedora e este sucesso premeia a geração dos irmãos Touré. Mas o Gana, dos irmãos Ayew, também justificava o título que esteve muito perto de conquistar.

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Calculismo

A final prometia muito, face à qualidade das duas equipas, mas foi uma pequena desilusão. O jogo foi muito calculista, tático, e sem que as equipas tenham arriscado um mínimo. Ambas jogaram no erro do adversário, mais preocupadas em não perder do que em arriscar para ganhar. Faltou magia. Emoção só houve no desempate por grandes penalidades.

Uma questão muitas vezes levantada: pode uma selecção africana um dia ganhar um Mundial? Penso sinceramente que sim, mas há um longo caminho a percorrer. Para a maioria dos selecionadores, a estratégia das convocatórias baseia-se na diáspora, cuja qualidade e experiência disfarçam a falta de formação, de estruturas e competências locais, e compensa a deficiente gestão de federações, marcadas por muita instabilidade.

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De uma maneira geral, os dirigentes do futebol africano querem e exigem o sucesso imediato, sem uma visão estratégica nem o mínimo projeto a longo prazo. Os objetivos são os resultados da equipa nacional em detrimento da formação, tanto dos treinadores como dos jogadores. Quando os africanos se preocuparem seriamente com a formação e tiverem possibilidades de ter os seus próprios centros de treino para desenvolver o talento natural dos jogadores, então estará dado um passo importante para a consagração do seu futebol. O que não falta é talento em África.

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