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É certo que a situação vivida pela seleção do Togo não deverá ser esquecida. Morreram duas pessoas e esse facto não mais poderá ser apagado da memória de todos aqueles que organizaram a competição e viram manchado de sangue o trabalho de vários anos. Compatriotas e familiares disseram adeus às vítimas de um enclave que tão cedo não vai ser resolvido e a CAN começa a dar alguns sinais de comunhão e alegria entre os adeptos. Nesta primeira fase destaco as prestações de três equipas: Angola, Moçambique e Costa do Marfim.
Angola, porque Manuel José construiu uma boa equipa e capaz de poder atingir o objetivo delineado pelo treinador algarvio, de ?? anos. Aquele empate na 1.ª jornada mostrou que ainda há muito a fazer até Angola poder afirmar-se no continente africano mas a verdade é que jogadores como Flávio, Manucho, Djalma e Gilberto têm qualidade e podem guiar os Palancas Negras a posições que até há bem pouco tempo não passavam de um sonho.
Admito que gostei de Moçambique na estreia com o Benim. Apesar daquele guarda-redes pouco ortodoxo e alguns erros defensivos próprios de quem tem pouca experiência nestas andanças, a equipa esteve bem, soube reagir a uma desvantagem de dois golos e tem alguns jogadores que já têm a maturidade suficiente para encarar outros palcos. Gostei de Mexer (recente reforço do Sporting), Paíto está mais consistente como lateral-esquerdo, Miro é um médio seguro e bem evoluído taticamente e no ataque moram Fumo, que é rapidíssimo, e Tico-Tico, goleador experiente. E ainda há Dário, titular em condições normais, mas lesionado no primeiro jogo. Depois do empate na estreia, estou curioso para ver como se comportam no duro teste com o bicampeão e natural candidato ao título, Egito.
A Costa do Marfim mostrou diante do Gana, no desafio mais exigente do grupo, de que fibra são os seus jogadores. Uma equipa que consegue reunir Eboué, Kolo Tourá, Tiené, Yaya Touré, Zokora, Kalou, Kader Keita, Gervinho e Drogba tem de jogar bem e ganhar. Foi o que fez diante de um Gana que vive à sombra de Essien e Muntari (este nem sequer está em Angola) e tornou-se, legitimamente, a primeira seleção a apurar-se para os quartos-de-final da prova. Uma exibição consistente, o acordar de um goleador (Drogba) e um guarda-redes que sabe segurar resultados. São candidatos, agora na prática.
Que a festa continue e que, sobretudo, não haja mais incidentes a lamentar. Porque já bastou a desistência do Togo nesse capítulo. Será que Angola chega às decisões finais? O sonho está nas mãos de Manuel José.
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