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A seleção do Mali empatou esta segunda-feira com a República Democrática do Congo e assegurou a presença nos quartos-de-final da CAN’2013. Ao mesmo tempo, 6.280 quilómetros mais a norte, tropas dos governos francês e maliano reconquistaram a histórica cidade de Tombuctú, como parte de uma ofensiva para parar as tropas rebeldes islâmicas.
A cada dia que passava se tornava mais evidente, para a comunidade internacional e população local, que o governo do Mali não poderia deter as forças armadas islamistas sem o apoio do exército gaulês. Os rebeldes tentavam conquistar o poder nas principais cidades do país, como já tinham feito o ano passado, nas populações do deserto do norte do Mali.
O conflito, claro, esteve e está presente a todo o momento na mente dos jogadores da seleção. Não poderia ser de outra forma e as declarações dos jogadores não desmentem um visível estado de ansiedade. “É claro que nos afeta o que se está a passar no Mali, porque torna a nossa vida mais difícil e ainda mais complicada para os que vivem no nosso país”, diz Seydou Keita, o capitão de uma equipa que passa o tempo a tentar saber novidades de casa.
Desportivamente, Keita reconhece, contudo, que o facto de o Mali se encontrar a ferro e fogo pode não ser mau em termos motivacionais. “É verdade que ao mesmo tempo esta guerra nos dá uma motivação extra para tentar levar pequenos momentos de alegria a um país que está a passar um mau bocado e que nos leva a aprender a paz é algo que não tem preço”.
O selecionador do Mali, Patrice Carteron, um ex-jogador francês que começou a treinar as “águias” em Junho, assegura que o seu trabalho na África do Sul se encontra delimitado aos terrenos de jogo. O líder da equipa do Mali sabe como o futebol é hoje uma das poucas alegrias dos locais e evita declarações políticas sobre o que se está a passar no território. “É claro que nos damos conta de que poderemos trazer alguma felicidade a todo um povo, mas o nosso trabalho é concentrarmo-nos no futebol, por muito difícil que isso seja nestes momentos”.
Mesmo tendo a noção de que o desporto-rei não poderá mudar a situação do seu país, o capitão Keita assegura que a equipa está a tentar trazer um pouco de positivismo que seja aos compatriotas. “Queremos usar o futebol como mais uma ferramenta para restaurar a paz no Mali e só podemos fazê-lo ganhando os nossos jogos”, diz o médio de 33 anos.
Antes de partir do Mali para a África do Sul, onde se joga a CAN, Carteron liderava uma das poucas equipas que preparou o torneio no seu próprio país. “Estivemos a trabalhar em Bamako durante cinco dias e vieram centenas de pessoas ver-nos treinar, foi aí que percebemos que podíamos fazer qualquer coisa de positivo por um povo em sofrimento”, disse no rescaldo da vitória que permitiu o apuramento.
Carteron nega que tenha aproveitado o conflito para motivar os jogadores, mas reconhece que o facto de a preparação ter sido feita no Mali não prejudicou nada a equipa, até porque assim os jogadores estiveram sempre perto dos entes mais queridos. “Os jogadores têm uma atitude positiva. É claro que ligam e tentam falar com os familiares todos os dias, mas o facto de terem estado com eles foi muito importante. Penso que lhes permite agora quererem apenas jogar a levarem a sua seleção a dar alegrias a todo o Mali”, diz Carteron, de 42 anos.
O conflito no Mali contrasta com a estabilidade da sua seleção na África do Sul, onde medirá forças com a anfitriã por um lugar nas meias-finais, no próximo sábado. Se algum país sabe o que é estar dividido, esse país é a África do Sul. E seja através de um milagre, da sorte ou da liderança de Mandela, evitou um banho de sangue ao derrubar o apartheid na década de 1990. Por isso Keita defende: “O que se passa no Mali é muito mais importante do que um jogo de futebol”, diz, ciente de que pode levar alguma alegria ao país, mas não a resolução do conflito. “As gentes do sul não vão celebrar nada se souberem que o norte está em combate. Ver uma guerra tão perto de casa é aterrador. Todos temos ali pais, irmãos e irmãs” diz de lágrimas nos olhos.
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