_

Luís Gonçalves crê que Marrocos preferia ter ganho a CAN no relvado: «Marroquinos sentem que se fez justiça»

Hakimi e Brahim Díaz na CAN'2025
• Foto: AP

O anfitrião Marrocos preferia ter sido campeão da Taça das Nações Africanas (CAN) de 2025 no relvado, em vez de beneficiar da retirada do título ao Senegal pela Confederação Africana de Futebol (CAF), assume o treinador português Luís Gonçalves.

"Houve uma ligeira reação, mas o sentimento geral é de que é preferível ganhar dentro de campo. De forma geral, os marroquinos estão satisfeitos e têm um sentimento de que se fez justiça, embora saibamos que [o caso] ainda não está terminado, porque o Senegal apelou. Não foi uma festa como a que acredito que teria havido se Marrocos vencesse no relvado", disse à agência Lusa o diretor técnico dos marroquinos do Safi, de 54 anos.

PUB

Em 17 de março, o Conselho de Apelo da CAF puniu o Senegal com uma derrota administrativa por 3-0, ao acolher um protesto de Marrocos, devido a incidentes ocorridos na final da 35.ª edição da CAN, vencida pelos leões de Teranga (1-0, após prolongamento), em 18 de janeiro, em Rabat.

"A própria Real Federação Marroquina de Futebol (FRMF) tem estado muito cautelosa e sem grandes declarações de efusividade ou festejos, porque é preciso olhar para a frente e continuar a preparar as competições que aí vêm. Além disso, há que salvaguardar as relações diplomáticas entre as várias federações e dentro da CAF", contou Luís Gonçalves, um dos treinadores estrangeiros que integrou a direção técnica nacional do organismo em 2025 e foi colocado ao serviço do primodivisionário Safi.

PUB

Já no período de compensação do tempo regulamentar, e instantes depois de o árbitro congolês Jean-Jacques Ndala ter interrompido uma jogada que resultaria num golo de Ismaila Sarr, vários futebolistas do Senegal saíram momentaneamente para os balneários, desagradados com o penálti assinalado a favor de Marrocos através do videoárbitro (VAR), que Brahim Díaz falharia.

"Independentemente do sentimento que a comitiva do Senegal possa ter tido naquele momento sobre as decisões do árbitro não serem as mais corretas, [abandonar o campo] é inaceitável e não se compreende. Ainda mais numa final em que sabemos da exposição mediática que tem", notou.

O árbitro nunca deu o jogo por terminado e, persuadida por Sadio Mané, a maioria da comitiva do Senegal regressou dos balneários ao fim de quase 15 minutos de interrupção, com o remate de Brahim Díaz à figura do guarda-redes Édouard Mendy, aos 90+24 minutos, a encaminhar a final para o prolongamento, no qual Pape Gueye selaria o golo decisivo, aos 94.

PUB

"Infelizmente, fica beliscada a imagem do futebol africano. O que se passou na final foi muito triste e mancha um pouco todo o trabalho e a excelente organização da CAN. Nos últimos anos, a CAF tem feito um grande esforço para se organizar melhor, modernizar-se e ser mais rigorosa. Marrocos está a posicionar-se bem e a receber várias competições, até porque tem condições e faz uma aposta séria no desenvolvimento do futebol", analisou.

Convencido de que a sentença administrativa da CAF está respaldada pelo regulamento da prova, mesmo tendo sido decretada dois meses depois da final, o antigo adjunto e selecionador principal de Moçambique lamenta que Brahim Díaz, que pertence aos espanhóis do Real Madrid e foi o melhor marcador da CAN, com cinco golos, "ficasse afetado" pelo penálti falhado.

"Perante o ambiente de confusão [que existiu nos descontos], acredito que haja sempre alguma perturbação, por muito forte que um jogador seja mentalmente. Depois, não foi a melhor decisão bater à Panenka. O Brahim podia representar a Espanha, mas escolheu jogar por Marrocos e estava nas graças do povo. Só que o futebol move multidões e paixões e, como tal, houve reações lamentáveis e a imagem dele ficou beliscada", partilhou.

PUB

Luís Gonçalves confia na recuperação emocional de Brahim Díaz, que participou nos últimos dias nos embates particulares de Marrocos com Equador (1-1), em Madrid, e Paraguai (2-1), em Lens, de preparação para o Mundial2026, cuja fase final também vai contar com Senegal e Portugal.

Esse duplo compromisso marcou a estreia de Mohamed Ouahbi, que tinha levado os 'leões do Atlas' a um inédito título de campeão do mundo de sub-20 em 2025 e foi promovido como sucessor de Walid Regragui a seguir à CAN na seleção principal, declarada campeã continental pela segunda vez, após 1976.

O luso João Sacramento passou a coadjuvar Ouahbi e ilustra a "qualificação das equipas técnicas" preconizada pela FRMF, tendo em vista a organização conjunta do Mundial2030 com Portugal e Espanha, já depois do melhor resultado africano de sempre na prova, com o quarto lugar em 2022, no Qatar.

PUB

"Marrocos vai continuar o seu caminho, porque a aposta no futebol é um desígnio nacional a todos os níveis, a começar pela formação. Eu estou envolvido num programa de desenvolvimento de jovens jogadores a médio ou longo prazo. Acredito que os incidentes na CAN não vão beliscar esse trabalho e que o Campeonato do Mundo será bem organizado", terminou.

O Senegal denunciou falta de segurança, problemas no alojamento e nas instalações de treino e distribuição insuficiente de bilhetes antes da final da CAN, na qual os apanha-bolas retiraram as toalhas de Édouard Mendy junto à baliza dos 'leões de Teranga', enquanto adeptos senegaleses se envolveram em confrontos com a polícia marroquina e receberam penas de prisão entre três meses e um ano.

PUB

Por Lusa
Deixe o seu comentário
PUB
PUB
PUB
PUB
Ultimas de CAN Notícias
Notícias Mais Vistas
PUB