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Rui Águas: «Agora só sonho com o primeiro jogo»

Rui Águas: «Agora só sonho com o primeiro jogo»
• Foto: miguel barreira

No dia de estreia no comando de Cabo Verde, o técnico confessou estar a trabalhar uma equipa “resultadista”, mas não abdica de objetivos... mais distantes. Para já, a meta é apurar a seleção para a CAN’2015.

RECORD – Quando foi apresentado como selecionador de Cabo Verde falou em resultados imediatos e reestruturação das competições no país. Mediante estes dois fatores, como perspetiva os próximos dois anos?

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RUIÁGUAS – Sei da importância fundamental que têm os resultados e aquilo que eles representam para jogadores, técnicos e todos que estão à nossa volta mas também para o povo cabo-verdiano que acompanha com muita atenção e amor a sua equipa. Sabemos que a responsabilidade é grande e acrescida porque vimos de uma participação, a primeira de sempre, na CAN. Como é evidente as pessoas querem mais e é isso que pretendemos oferecer-lhes. Vamos fazer tudo para que isso seja uma realidade. Em relação ao trabalho associado – igualmente importante – pretende-se que seja sistemático e estruturado. Que permita aos jogadores cabo-verdianos cresceram em melhores condições. Talento sabemos que existe, assim como capacidade futebolística. Em temos de treino e daquilo que é o acompanhamento ideal dos jovens pretendemos que seja mais efetivo, que os treinadores tenham formação mais completa. Só assim conseguiremos evoluir. Depois, pegar no todo que é o futebol cabo-verdiano e tentar em termos competitivos dar-lhe mais impacto, maior dinâmica e tentar que a competição seja mais forte. Pois se a competição não for forte não é fácil a evolução dos atletas. São essas três vertentes: treinadores, qualidade da competição e resultados.

R – Falou em “qualidade” quando se referiu aos jogadores cabo-verdianos. Que grupo de atletas encontrou, nomeadamente aqueles que convocou para o duplo compromisso?

RA – Encontrei um grupo de uma alegria e de uma coesão contagiantes e raras. É daquele tipo de equipas que dá gosto estar. Convivemos como se de um clube se tratasse. Facilita imenso. Depois, mais numas posições do que noutras, há jogadores de exceção, como noutras equipas. Mas há a certeza que no seu todo a equipa poderá ser forte e materializar os nossos desejos mais imediatos de apuramento.

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R – Qual a primeira mensagem que fez passar?

RA – Ideias muito simples. Senti-me como em casa e passei essa mensagem. Tenho ligações muito próximas com o país: casei com uma cabo-verdiana, há muitos anos, e vou lá desde há muito tempo. Percebo as pessoas, a natureza e sua sensibilidade. Não é uma seleção estrangeira para mim. É uma terra minha também. Quis que eles percebessem que sou um deles, que venho para ajudar e para dar continuidade a um trabalho de sucesso. Perguntei se tinham gostado de estar na CAN e disseram que sim. E também disse que gostaria de estar. E que quem não esteve neste grupo terá a oportunidade de lá estar.

R – Apesar de ter assinado um contrato de dois anos vê-se no comando da seleção de Cabo Verde para além disso?

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RA– Tudo o que disser agora não tem muita validade. À partida é um projeto que me encanta e que espero que corra bem. Tenho confiança. Modéstia à parte tenho características para contribuir para este projeto. Gostava de um dia, quando saísse, ouvir: ‘O Rui deixou um trabalho bem feito, estruturado...’ é isso que pretendo. Há uma primeira vez para ir a o Mundial e... isso é um objetivo longínquo que gostaria de alcançar. Agora sonho com o primeiro jogo, mas já pensei. Levá-los a um Mundial seria muito especial.

R – No grupo de qualificação para a CAN a sua equipa é a melhor classificada no ranking da FIFA. Traz mais pressão?

RA – Não. A pressão que existe e que é inerente a um cargo desta natureza é o facto de nos ser exigido a repetição daquilo que se fez. Conseguir-se o apuramento. Os rankings não valem muito. Temos o exemplo da Seleção portuguesa, que à partida para o Mundial era quarta classificada. Não é isso que ganha jogos. Temos um grupo equilibrado, adversários de respeito. A Zâmbia parece-me a equipa mais forte e até foi campeã na última edição. Moçambique também tem qualidade. Níger é uma seleção fisicamente muito forte e que a jogar em casa quer fazer um brilharete. Em Portugal temos o Maazou, um jogador muito forte, muito rápido e que é o ponta-de-lança de referência da sua equipa. Daí tiramos a ideia do que pode ser esse adversário.

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R – Está confiante que Cabo Verde estará na CAN’2015?

RA– Estou. Temos razões para estar confiantes. Não tivemos muito tempo de contacto e trabalho prático com os jogadores – é uma pena mas é a realidade – mas tentámos otimizar as ideias que foram transmitidas neste estágio em Portugal. A verdade é que confiamos e passámos essa confiança aos jogadores. Esperamos iniciar bem a qualificação. Sabemos que é importante iniciar bem. Não é decisivo mas é importante. Para ser sincero, nesta fase pretendo uma equipa “resultadista”.

«Herança? Seria um erro mudar tudo»

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R – Acha importante aproveitar a herança deixada por Lúcio Antunes?

RA – É evidente que sim. Sempre que abraço um projeto novo trato de procurar informar-me junto dos meus colegas. Fi-lo com o Lúcio e o João de Deus, também ele com mérito neste ciclo mais notório. Seria um erro querer mudar tudo. Não faz sentido quando corre bem introduzir grandes mudanças. Introduzir sim as nossas ideias, aproveitando a base existente e que resultou. Não o queremos transfigurar. Queremos aproveitá-lo e melhorar na medida do possível. É isso que tentarei fazer.

R – Até porque a língua acaba por ser um fator determinante…

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RA – Claro. Esta comunhão que se vive e que se mantém, a amizade, faz todo o sentido. Até a natureza dos povos não é distante. A integração e a coordenação são fáceis quando assim é.

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