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A escolha de Eriksson para seleccionador em 2001 fez correr muita tinta em Inglaterra. Hoje todos concordam que a formação melhorou, inclusive dois ex-internacionais portugueses que foram orientados por este técnico. Diamantino e Álvaro assumem que a Inglaterra, hoje em dia, é uma equipa "mais compacta".
Álvaro, depois de ter visto o adversário de Portugal, comenta: "Conheço bem o Eriksson e sei que as equipas treinadas por ele têm uma disposição táctica perfeita. Todos os jogadores sabem perfeitamente o que têm de fazer no relvado". Diamantino reforça esta ideia e lembra: "Eriksson colocou a formação a pensar. A experiência adquirida em Itália passou-a aos britânicos. Hoje jogam com duas linhas compactas que permitem a Owen e Rooney não defender e partirem rapidamente para o ataque."
Mesmo mais táctica, a Inglaterra mantém inalteradas as suas qualidades. O adjunto do Benfica frisa: "Os ingleses jogam de uma forma mais apoiada. No entanto, não há descaracterização. Quando é necessário, ainda usam o passe longo. Nota-se o cunho de Eriksson."
Convidado a comentar as diferenças demonstradas pelo homem que passou pelo Benfica, que hoje orienta a Inglaterra, Diamantino ressalva: "É difícil avaliar. Em 1982 foi meu treinador e voltou a sê-lo em 1989. Nesse período notei diferenças. Uma característica que mantém é a vontade que os seus conjuntos têm em praticar um futebol bonito."
Curiosamente, esta dupla é unânime em dar a receita para a vitória. "É preciso paciência", garantem. Já para bater a defesa contrária, os dois mostram diferenças. Álvaro recomenda: "Sejam agressivos e movimentem-se para abrir espaços. É necessária a mesma atitude que Portugal demonstrou com a Espanha". Diamantino pede o mesmo, mas acrescenta: "Figo, Deco e Ronaldo devem procurar o 1x1. Cruzamentos para a área pouco vão adiantar."
Um treinador sueco latinizado
Sven-Goran Eriksson veio trabalhar para Portugal em 1982. Depois de ter brilhado no IFK Gotemburgo (conquistou a Taça UEFA), o jovem treinador deixou-se seduzir pelo Benfica. Rapidamente conquistou os adeptos portugueses pela sua simpatia e competência, qualidades que o levaram para a sua primeira aventura italiana. Em 1989 regressou à Luz e chegou à final da Taça dos Campeões Europeus. Depois, as liras falaram mais alto e voltou a Itália para treinar a Sampdoria e a Lazio. Em 2001 surgiu a Inglaterra.