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Quem agarra esta Taça?

O primeiro Mundial em África vai servir para desempatar o confronto entre os dois continentes que discutem, ombro a ombro, a hegemonia do futebol desde 1930: a América do Sul e a Europa, que repartem os louros com nove títulos conquistados. De um lado, o berço pobre onde os ricos se abastecem com os talentos que deslumbram e fazem movimentar milhões; do outro, os filhos de escolas mais prósperas que, escapando à pobreza que caracteriza os irmãos do outro lado do Atlântico, crescem segundo regras universitárias mais sólidas e orientadas.

Em jogo está, no fim de contas, a diferença entre a rua e a extrema pobreza que permite crescer com mais liberdade e a orientação académica que, açaimando o instinto, estimula um melhor entendimento do futebol como jogo coletivo. É o que distingue o samba brasileiro, o tango argentino e os dois fenómenos geracionais uruguaios com 20 anos de diferença (responsáveis por 9 títulos) e a cultura tática, a expressão física e o bom aproveitamento do fator casa de Itália, Alemanha, Inglaterra e França, que protagonizam as 9 conquistas do Velho Continente.

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Fenómeno com 80 anos

Para quem desvaloriza o peso relativo do local, a história de 80 anos permite esclarecimentos importantes. Peguemos em exemplo flagrante que é bem elucidativo do que acabamos de dizer: nunca uma seleção europeia venceu fora do seu continente, apesar de já ter havido oito edições do Mundial repartidas por América do Sul (Uruguai, Brasil, Chile e Argentina), América Central (o México por duas vezes), América do Norte (Estados Unidos) e Ásia (Coreia do Sul/Japão). O que para alguns pode sempre ser encarado como simples estatística deve merecer reflexão mais profunda. Estamos perante um fenómeno com origem em 1930.

Exceção em 1958

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Prosseguindo a viagem pela história, se a tradição continuar a ser o que era, o Brasil não deverá desperdiçar a oportunidade de vencer na estreia da grande competição em África, atendendo ao que fez no passado. A canarinha conquistou o primeiro Mundial na América Central (México'1970), na América do Norte (EUA'1994) e na Ásia (Coreia do Sul/Japão'2002). Os brasileiros, de resto, são mesmo a exceção à regra, porque só por uma vez uma seleção sul-americana venceu na Europa, precisamente o Brasil, em 1958, na Suécia, naquele que foi o primeiro dos cinco triunfos com que deu início ao império como maior potência do futebol.

As grandes estrelas

Neste despique muito concreto entre dois continentes totalmente dominadores, não deixa de ser esclarecedor que sejam sul-americanas as figuras que mais e melhor se consolidaram na história e na memória coletiva dos adeptos: ninguém se compara à esmagadora influência de Pelé (o único tricampeão), Maradona (divino em 1986) e Garrincha (sublime em 1962). Depois deles, ainda houve heróis que nunca jogaram (Di Stéfano) e outros que brilharam mas não venceram (Puskas, Eusébio, Cruijff, Zico e Platini). De resto, o europeu que atingiu o patamar mais próximo do céu foi o mito Franz Beckenbauer, imperador que conduziu a Alemanha ao título em 1974. Um espaço que reparte com estrelas como José Andrade e Obdulio Varela (Uruguai), Giuseppe Meazza e Zoff (Itália), Bobby Charlton e Bobby Moore (Inglaterra), Romário e Ronaldo (Brasil) e Zidane (França).

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