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Ao apito final em Monterrey, os festejos: pela primeira vez em 40 anos, o Iraque vai ao Mundial. Depois de uma passagem fugaz pelo México'86, a seleção iraquiana garantiu esta terça-final a derradeira vaga de apuramento, batendo no play-off intercontinental a Bolívia por 2-1.
O jogo decisivo foi preparado ao pormenor… dentro e fora das quatro linhas. “Bani as redes sociais desde o dia em que aqui chegámos”, contou o australiano Graham Arnold, selecionador nacional dos asiáticos. A comitiva iraquiana chegou à cidade mexicana, palco do último jogo do play-off, a 21 de março, dez dias antes do encontro. O prolongado estágio serviu para os jogadores se adaptarem ao clima da América Central e treinarem sem distrações – nem mesmo do que se passa no resto do mundo.
“Não queria que eles pensassem sobre o que se passa no Médio Oriente, tinham de se focar no trabalho que tínhamos para fazer aqui”, explicou Arnold, numa referência ao conflito regional que opõe EUA e Israel ao Irão, e que tem arrastado vários países em volta para uma situação de instabilidade.
Os ataques constantes das últimas semanas interferiram mesmo no apoio à equipa, com o espaço aéreo iraquiano a permanecer fechado devido à guerra, o que impediu os cidadãos residentes no país de viajar com a equipa nacional.
“Espero que os tenhamos deixado orgulhosos e que possamos unir as pessoas no Iraque em celebração deste momento”, declarou Rebin Sulaka, defesa iraquiano de 31 anos, um dos mais experientes da seleção.
Os iraquianos têm agora pela frente um dos mais difíceis grupos do Mundial, onde irão defrontar França, Senegal e Noruega. O cenário de há 40 anos, quando o Iraque saiu do México com três derrotas em outros tantos jogos, pode repetir-se, mas a 57ª classificada do ranking FIFA garante que vai a jogo de cabeça erguida e que chegar aqui já é uma vitória.
“Estou muito feliz, pelos jogadores e pelos 46 milhões de iraquianos”, afirmou Graham Arnold. “Com sorte, isto vai ajudar a mudar a perceção do Iraque. Imagino que em casa estejam a celebrar”.
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