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Seleção do Curaçau com recorde de 25 jogadores nascidos no estrangeiro

Em 2021, a FIFA flexibilizou o sistema de elegibilidade e concedeu aos jogadores que já tinham representado uma seleção nacional a opção de mudarem de filiação

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Seleção do Curaçau prepara-se para a estreia nos Mundiais
Seleção do Curaçau prepara-se para a estreia nos Mundiais • Foto: EPA
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O estreante Curaçau convocou um recorde de 25 futebolistas nascidos no estrangeiro em 26 possíveis para o Mundial'2026, no qual República Democrática do Congo e Cabo Verde também têm mais de metade das suas seleções dependentes da diáspora.

Considerado pela FIFA como sucessor direto das Antilhas Neerlandesas, que foram dissolvidas em 2010, o arquipélago caribenho é um dos quatro debutantes no principal torneio internacional de seleções e chega à fase final com 25 nativos dos Países Baixos, de cujo reino dista perto de 7.900 quilómetros, mas até faz parte, face às ligações de quase quatro séculos.

Eloy Room e Leandro Bacuna, recordistas de internacionalizações, ambos com 71, retratam essa tendência do país com menor população (cerca de 160.000 habitantes) e área (a rondar os 450 quilómetros quadrados) de sempre a disputar o Campeonato do Mundo, tal como Riechedly Bazoer, Jeremy Antonisse e Kenji Gorré, que passaram por clubes portugueses.

A exceção é Tahith Chong, nascido na capital Willemstad, ainda que sem experiência a nível sénior por clubes de Curaçau, a exemplo dos outros atletas convocados pelo regressado neerlandês Dick Advocaat, de 78 anos, que se vai tornar o treinador mais velho de sempre em Mundiais, já depois de ter orientado um estágio dos caribenhos nos Países Baixos.

Chong chegou a atuar pelas seleções jovens neerlandesas, mas solicitou a transferência da sua filiação para Curaçau e recebeu uma decisão favorável da FIFA em 2025, cenário extensível a Shurandy Sambo, Armando Obispo, Bazoer e Sontje Hansen, de acordo com a plataforma de mudança de federações do organismo regulador do futebol mundial.

Outra seleção significativamente dependente da diáspora é a da República Democrática do Congo, adversária de Portugal na estreia no Grupo K, ao reunir 20 nascidos fora do seu território, 11 dos quais em França, de onde provêm Lionel Mpasi, Arthur Masuaku, Cédric Bakambu ou Yoane Wissa.

Matthieu Epolo, proveniente da Bélgica, e Aaron Wan-Bissaka, nativo de Inglaterra, trocaram de filiação em 2025, passo seguido em maio por CJ dos Santos, oriundo dos Estados Unidos e agora elegível por Cabo Verde.

Os lusófonos chamaram 14 atletas da diáspora para a estreia em Mundiais, dos quais seis nasceram nos Países Baixos, três em França, um nos Estados Unidos e um na República da Irlanda, havendo mais três com berço português - Wagner Pina, Hélio Varela e Telmo Arcanjo, do Vitória de Guimarães.

Maior contingente vindo do estrangeiro tem o campeão africano Marrocos, ao contabilizar 19, destacando-se o capitão Achraf Hakimi e Brahim Díaz.

A Bósnia-Herzegovina acumula 16, número para o qual contribui Amar Dedic, originário da Áustria e vinculado ao Benfica, e que é repetido por Argélia e Haiti, nos quais constam 13 e 12 jogadores originários de França, sendo os respetivos capitães Riyad Mahrez e Johny Placide os casos mais sonantes.

A diáspora também preenche mais de metade das listas da Tunísia, com 15 naturalizados, e do Qatar, ao juntar 14, entre os quais Pedro Correia, nascido em Portugal e autor do golo que apurou os bicampeões asiáticos.

Segue-se o Senegal, com o capitão Kalidou Koulibaly nos 12 recrutados, contra os 11 da Croácia, ao serviço da qual decidiu atuar Mateo Kovacic.

Já o capitão Hakan Çalhanoglu, Kenan Yildiz e Deniz Gül, nativo da Suécia e pertencente ao campeão português FC Porto, contribuem para a dezena de atletas da Turquia vindos do estrangeiro, seguindo-se Costa do Marfim, de Seko Fofana, que é oriundo de França e esteve cedido aos 'dragões' na segunda metade da época 2024/25, e Iraque, ao somarem nove cada um.

Pelos oito ficaram Austrália, Nova Zelândia, Canadá, de Alphonso Davies e Jonathan David, e Gana, treinado pelo português Carlos Queiroz e com Antoine Semenyo e Jordan Ayew nas opções.

Scott McTominay sobressai entre os sete da Escócia, acima dos seis dos Estados Unidos e dos cinco de México e Paraguai, numa prova que integra pela primeira vez 48 seleções e totaliza 293 naturalizados num universo de 1.248 convocados - 38 viram a mudança de filiação aprovada desde 2025.

A França apresenta quatro, nomeadamente Mike Maignan, Brice Samba, Michael Olise e Marcus Thuram, um acima de Equador, Jordânia e Suíça.

Portugal junta Diogo Costa e Matheus Nunes, originários de Suíça e Brasil, mas poderia reunir mais, não tivesse Éli Junior Kroupi, internacional pelas seleções jovens francesas e de ascendência lusa e costa-marfinense, declinado em março o convite do treinador espanhol Roberto Martínez.

Igual cenário têm a campeã mundial e bicampeã sul-americana Argentina, de Nico Paz e Giuliano Simeone, o Irão, a Noruega, de Erling Haaland, melhor marcador da fase de apuramento, e o Uruguai, de Fernando Muslera e Rodrigo Zalazar, recém-contratado pelo Sporting ao Sporting de Braga.

A campeã europeia Espanha, de Aymeric Laporte, a Inglaterra, com Marc Guéhi, a Alemanha, ao chamar Waldemar Anton, os Países Baixos, nos quais está Guus Til, a Bélgica, por Amadou Onana, a Coreia do Sul, o Egito e o Japão mostram exemplos únicos, a par do Uzbequistão, opositor de Portugal na primeira fase e com Utkir Yusupov oriundo do Cazaquistão.

Brasil, Colômbia, outra oponente das quinas, Áustria, África do Sul, Arábia Saudita, Panamá, República Checa e Suécia são exclusivamente formados por nativos, apesar de os brasileiros terem alterado a filiação de Douglas Santos, tal como fez a Bélgica com Diego Moreira, ex-internacional jovem luso.

Em 2021, a FIFA flexibilizou o sistema de elegibilidade e concedeu aos jogadores que já tinham representado uma seleção nacional a opção de mudarem de filiação, desde que fossem cumpridos determinados critérios.

Essa reforma reconheceu a crescente realidade multicultural do futebol e fará, por exemplo, com que os irmãos Nico Williams e Iñaki Williams ou Désiré Doué e Guela Doué representem países distintos na 23.ª edição do Campeonato do Mundo, que se realiza de 11 de junho a 19 de julho, sob inédita organização tripartida entre Estados Unidos, México e Canadá.

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