Selecionador anteviu o duelo com a Espanha, dos 'oitavos' do Mundial'2026
Este é o Mundial em que os grandes jogadores estão a brilhar. Amanhã teremos o Cristiano e o Lamine Yamal em campo. Que semelhanças vê nos dois?
"São jogadores completamente diferentes. Um deles [Cristiano], que mostra que é capaz de carregar a pressão de uma equipa. Uma figura icónica, a longevidade que tem fala por si. Estão em momentos totalmente diferentes das respetivas carreiras".
Portugal está a 4 jogos do objetivo. O que lhe passa pela cabeça para alcançá-lo?
"A força vem com vitórias. Num Mundial assim, acredito que medimos sempre o compromisso, a capacidade de autocrítica, de estarmos preparados em momentos difíceis... Ninguém chega campeão ao Mundial. São os melhores jogadores dos países. Já tivemos momentos difíceis, de autocrítica. A equipa nunca se encolhe, tem sempre uma reação positiva. Continuamos a crescer e ganhar amanhã será a melhor forma de continuar a crescer".
Rodri disse que o meio-campo espanhol era o melhor do mundo. Concorda?
"O estilo, a capacidade de manter a bola dá muito protagonismo ao meio-campo. E a Espanha conseguiu vencer em 2008 e ter um período muito importante graças a essa capacidade. Nós focamo-nos no nosso e, com 10 milhões de habitantes, Portugal é um exemplo. Tem jogadores nos clubes mais importantes da Europa e estamos muito orgulhosos".
Sempre se falou muito do meio-campo de Portugal, mas ainda não vimos esse grande jogo desses jogadores... O que espera deles amanhã?
"Dizer que amanhã não será só um jogo exigente para os nossos médios, será para todas as linhas. Teremos de defender muito bem o um contra um, de tomar decisões muito boas. Acredito que o meio-campo será, para as duas equipas, a zona onde se vão viver momentos importantes. Mas estamos a falar dos 'oitavos', será exigente para todos. Vejo os jogadores tranquilos. Estão confiantes, mas também concentrados. E esse é o cenário perfeito para um selecionador".
O Roberto disse que nunca trabalhou em Espanha. Acredita que poderia ter tido uma chance em algum grande clube?
"Primeiro, dizer que tive oportunidades. Mas na carreira de um treinador, acredito muito no timing. Gosto de fechar um ciclo. E não foi o momento certo. Não olho para isso. Saí de casa com a paixão de jogar à bola. Depois, de treinar. Fiz isso no Reino Unido e faz parte do meu caminho. Sou uma pessoa muito curiosa. Mas o futebol e a paixão pelo futebol deram-me a oportunidade de conhecer países diferentes. Estou muito orgulhoso. Nunca olho para o que não consegui, mas é desfrutar com o que posso trabalhar".
Há 25 anos, o Roberto chegou a preparar jogos na parte de trás de um carro... Deu um grande salto desde então. Olhando para trás, o que aprendeu?
"Não sei como faz isso, mas parece tão novo quanto há 25 anos! Nunca me sentei e olhei para trás. O jogo é o maior desafio que temos e temos de prepará-lo. Temos de dar estrutura ao talento individual. E é assim que evoluímos. As ideias são as mesmas, mas fazer com que esse talento faça a diferença... Nada mudou. Estou orgulhoso por poder ser o selecionador português".
Luis de la Fuente disse que gostaria que a final fosse contra Portugal e deixou-lhe elogios. Como poderá ser o jogo amanhã?
"Primeiro, dizer que esse respeito é totalmente mútuo. Claro que será um jogo de grande importância porque são duas equipas com ideias muito parecidas, que gostam de ter bola, de construir à volta do talento individual. E isso é muito bonito, é uma pena não poder ser na final. Mas é o que é. O propósito do Luis é jogar todos os jogos, e o nosso também. E infelizmente, amanhã, uma das equipas ficará excluída desse propósito. Mas amanhã será um jogo dos jogadores, no qual, realmente, é um orgulho participar. O nosso papel, dos selecionadores, será dar aos jogadores a força e alegria que precisam para ganharem um jogo tão importante".
Como vai planear o jogo para defrontar a Espanha?
"Quando preparamos um Mundial, preparamos os três jogos da fase de grupos. Depois, começa outro Mundial, a fase do tudo ou nada. Respeitamos sempre o adversário, e neste caso somos dois países vizinhos, quase irmãos. O futebol ibérico é uma festa. Uma pena ser nesta fase, seria uma final fantástica".
Há um ano, Portugal defrontou a Espanha na Liga das Nações e esteve em desvantagem duas vezes. O que é preciso repetir amanhã? Vão rever esse jogo?
"Não. Estamos mais focados no que fizemos no último jogo e neste Mundial. É o contexto. A Espanha tem a mesma ideia de jogo e isso faz sentido, mas são jogadores diferentes. Amanhã, o aspeto mais importante será de personalidade, de podermos estar confortáveis com a importância do jogo e podermos ser nós mesmos. Depois, temos um adversário espetacular pela frente. Mas acho que o aspeto mais importante amanhã é relembrar aquilo que podemos fazer, tendo a personalidade para desfrutar do momento. Estar nos 'oitavos' deste Mundial merece isso".
O Roberto tem adotado algumas estratégias diferentes de jogo para jogo. Jogo interior com João Félix, depois Rafael Leão frente à Croácia. Podemos esperar alguma mudança amanhã? Vitinha ou Bruno Fernandes poderão sair?
"Esses jogadores são muito importantes para nós. Não é assim que trabalhamos. Pensamos no que cada um pode acrescentar. Os jogadores são incríveis no compromisso e precisamos de utilizar isso. Jogar frente à Espanha não é o mesmo do que jogar com a Colômbia. A Croácia também gosta de ter bola... Mas temos de ajustar. Essa é a nossa ideia e precisamos de fazer isso também durante o jogo. Mas posso dizer que todos os jogadores treinaram bem hoje e estamos todos preparados. O foco é relembrar que temos de ser bons no coletivo".
Diogo Costa esteve em grande plano nos últimos jogos. Portugal aparecerá amanhã mais confiante ou menos?
"Durante o percurso num Mundial, é importante olhar para a frente e para o adversário. O que fizemos com a Croácia, RD Congo, Uzbequistão... Foram passos para crescer. O Diogo Costa está fantástico, a equipa precisa dele. Mas sabemos sofrer, manter o nível até ao fim. E isso é importante, ajuda muito. Estamos aqui para nos apresentarmos ao melhor nível nos oitavos-de-final de um Mundial. E esse foi o percurso que tivemos. Todos os jogos são diferentes, mas agora estamos mais preparados para estarmos ao melhor nível".
O Cristiano, no último jogo, jogou 20 minutos ao lado de Gonçalo Ramos. Isto amanhã está fora de hipótese no onze inicial?
"Precisamos de falar do adversário, mas também dos momentos do jogo. A 1.ª parte com a Croácia foi muito boa, mas quando és superior e o adversário marca... É um momento em que precisamos de mudar e era importante ter dois pontas-de-lança. Após marcarmos, era um jogo diferente. A Croácia utiliza a bola muito bem e foi preciso ajustar o meio-campo. Não podíamos jogar em inferioridade. São dois momentos do jogo, em relação ao adversário e ao que estávamos à procura. Importante é que todos acrescentem, todos estão preparados para ajudar. Temos muita flexibilidade. A equipa consegue utilizar padrões com um ponta-de-lança, dois, com jogadores por fora, por dentro, de pé trocado... É o trabalho de três anos e meio. Seria fraco limitar o jogo a um padrão ofensivo ou aspeto tático. A nossa força é a flexibilidade. Já usámos 21 jogadores em campo e acredito muito no Gonçalo Inácio e no Gonçalo Guedes, que se forem usados estarão preparados".
Portugal e Espanha são duas equipas apaixonadas por ter bola e o meio-campo de ambas é fortíssimo. Como se vai desembrulhar o jogo neste sentido?
"Respeitamos muito o adversário, é uma equipa muito boa, com uma ideia muito clara. Concordo que as duas equipas são melhores com bola, utilizamos a bola para acentuar a qualidade individual dos jogadores. Mas acho que amanhã é importante ter desempenhos completos. As duas equipas precisam de ser muito boas com bola, de ajustar, defender rápido. Vimos na final da Liga das Nações que, com bola, as duas equipas conseguem chegar à baliza e criar oportunidades. O 2-2 foi curto. E acho que amanhã o jogo vai ser igual. Precisamos de personalidade para manter o nível e intensidade alta. E poder utilizar a totalidade do grupo. Acho que amanhã é preciso frescura, que os jogadores que saiam do banco acrescentem. Será bom para manter a personalidade e ideia de jogo"
Amanhã, o Roberto Martínez vai jogar contra o seu povo. Como se gere isso?
"O meu caso é diferente. Eu nunca trabalhei em Espanha. Parece incrível, mas vivi 21 anos no Reino Unido, 21 em Espanha, sete na Bélgica e três e meio em Portugal. A minha casa é onde está a minha família e a minha missão. Para mim, o importante é estar muito perto dos jogadores e do que representa a nossa Seleção. Agradecer a força e tudo o que tivemos em Toronto, o povo português foi incrível. Quase meio milhão... A força foi incrível. E é isso. A paixão significa muito. E enquanto selecionador, o orgulho é incrível".
Reforçou várias vezes de que a Croácia era uma seleção europeia e com a Espanha será igual. Portugal queria ficar em 1.º mas não ficou muito triste porque talvez quisesse evitar Argentina e Gana. Esta teoria faz sentido?
"Infelizmente não, não faz sentido. Queremos ganhar todos os jogos. A ideia, quando chegámos ao Mundial, era tentar crescer muito e utilizar os jogos para preparar todos os jogadores. A nossa ideia era ganhar todos os jogos e o grupo, mas o Mundial não é assim. É tentar melhorar, experimentar, alinhar conceitos e o caminho, já falei disso, não consegues escolher. É preciso estar ao melhor nível dentro do caminho em si. E agora estamos focados para os 'oitavos'".
Depois de Cristiano Ronaldo falar aos jornalistas, é a vez do selecionador Roberto Martínez fazer a antevisão ao Portugal-Espanha, dos oitavos-de-final do Mundial'2026, marcado para amanhã, segunda-feira, a partir das 20h00. Acompanhe, ao minuto, as declarações do treinador.