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A polémica tarja das Malvinas: que sanção pode ter a Argentina, o precedente de 2014 e o caso Park Jong-woo

FIFA tem previstas punições em caso de mensagens políticas e o governo britânico exige investigação a este "comportamento inapropriado"

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Tarja dos jogadores argentinos onde se lê "As Malvinas são argentinas"
Tarja dos jogadores argentinos onde se lê "As Malvinas são argentinas" • Foto: AP
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Após a vitória (1-2) sobre a Inglaterra, os jogadores da Argentina celebraram no relvado com uma tarja onde se lia "As Malvinas são argentinas". O pré-jogo já tinha sido marcado por este tema, com a seleção alviceleste a não esquecer a disputa territorial que ainda existe entre os dois países por aquele arquipélago do sul do Oceano Atlântico e que, em 1982, motivou um conflito armado que provocou 907 mortes. As Malvinas, refira-se, são um território britânico ultramarino. Ora, foi com base precisamente nesse facto que o governo britânico exigiu medidas à FIFA e criticou a atitude dos futebolistas sul-americanos.

"O comportamento foi totalmente inapropriado. Aguardamos que a FIFA faça a sua investigação exaustiva. A política deve ser separada do futebol", afirmou Peter Kyle, secretário dos negócios do Reino Unido, citado pela Associated Press. O Código Disciplinar da FIFA, de resto, já prevê sanções em caso de manifestações políticas, lembrando que equipas e associações podem ser responsabilizados pelo "uso de gestos, palavras, objetos ou outro qualquer meio de transmissão de uma mensagem que não seja apropriada para um evento desportivo, nomeadamente mensagens de cariz político, ideológico, religioso ou de natureza ofensiva", pode ler-se no artigo 15.º, ponto 2., alínea e).

De acordo com a AP, as multas por mensagens de cariz político podem, por base, variar entre os 5 mil e os 20 mil dólares (4,36 mil e 17,4 mil euros). E no caso da Associação de Futebol Argentina (AFA), já existe um precedente, precisamente envolvendo as Malvinas. Em 2014, a FIFA multou esta federação em cerca de 32 mil euros por mostrar uma tarja com exatamente a mesma mensagem depois de um particular com a Eslovénia.

Lisandro Martínez, um dos jogadores que, a par de Lo Celso, segurou ontem a tarja em questão, foi bem claro sobre o tema após a partida, mesmo que parco em palavras: "não podíamos desiludir o povo argentino".

Jogador sul-coreano foi castigado por dois jogos por mensagem política

Existem alguns precedentes mais danosos do que uma 'simples' multa em situações semelhantes. No Mundial'2022, a FIFA avisou a Federação Inglesa (FA) que castigaria Harry Kane se o avançado usasse uma braçadeira com as cores do arco-íris e a expressão 'OneLove' nos jogos no Qatar, um país onde a homossexualidade é considerada crime.

Já Rodri e Álvaro Morata receberam um jogo de castigo cada um, por parte da UEFA, por terem cantado "Gibraltar é espanhola", na sequência das celebrações pela conquista do Euro'2024. Mas o caso mais grave aconteceu nos Jogos Olímpicos de 2012, em Londres, quando o sul-coreano Park Jong-woo foi sancionado por duas partidas por ter mostrado uma tarja de um adepto onde se podia ler "Dokdo é nosso território", após a sua seleção ter derrotado o Japão no jogo do 3.º/4.º lugares. Dokdo, refira-se, é um território sob disputa da Coreia do Sul, Coreia do Norte e Japão. Jong-woo acabaria por cumprir castigo em duas partidas referentes à fase de qualificação para o Mundial'2014.

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