A "sorte" de ter representado o clube que apoia, a final perfeita com Cabo Verde e a conversa com Matheus: o que disse Semedo
Lateral da Seleção Nacional falou aos jornalistas antes do treino desta quarta-feira
Seguir Autor:
Nélson Semedo foi o jogador escolhido para responder às questões dos jornalistas na conferência de imprensa desta quarta-feira que decorreu na Cidade do Futebol. Antes de mais uma sessão de treino de Portugal, o lateral-direito falou sobre o número de jogadores que o selecionador Roberto Martínez convocou para a sua posição, revelou uma conversa que teve com Matheus Nunes sobre a sua adaptação de médio a defesa direito e abordou ainda a qualificação de Cabo Verde para o Mundial'2026. Pelo meio, o jogador do Fenerbahçe comentou ainda a sua passagem pelo Benfica e perspetivou o particular contra o Chile, agendado para este sábado.
A necessidade de levar cinco laterais para o Mundial. De facto é a posição que mais acaba por se desgastar?
"Eu acho que sim, porque a posição onde eu jogo desgasta bastante, especialmente com as condições que vamos ter nos Estados Unidos, Canadá e México. Depois, também vimos de épocas de grande desgaste. Temos o caso do Nuno que acabou a Seleção depois de termos vencido a Liga das Nações, depois arrancou para o Mundial de Clubes e depois começou a temporada com o PSG. Acho que isto tudo levou à opção do selecionador."
Como se sente para este Campeonato do Mundo? Há uma guerra saudável entre os jogadores da posição?
"Sinto-me bem, bastante bem, tive algumas lesões durante o ano, mas preparei-me bem. Tive tempo para me preparar para estar aqui de corpo e alma na Seleção. A competitividade na posição só traz coisas boas à Seleção. Ter essa competitividade só nos fará sermos ainda melhores e com que todos nós, na nossa posição e nas outras, tentemos dar o nosso máximo."
Estão a preparar uma solução de jogo com uma linha de três defesas?
"Eu lembro-me que quando o míster jogou que jogamos com uma linha de três e também já jogámos com uma linha de quatro. Estamos preparados. Somos jogadores profissionais e temos de estar aptos para jogar no sistema que o míster pretender. Nesse aspeto estamos bem. Sinto-me bem e o tempo que eu tiver que jogar, sejam 10 minutos, um minuto, 90 minutos ou só para treinar, vou dar o meu melhor porque também acho que fará com que todos os meus colegas melhorem e fará com que Portugal seja melhor."
Não esteve no estágio de março. Isso preocupa-o?
"Temos uma lista vasta de jogadores com muita qualidade e sempre que se perde a carruagem é muito difícil de voltar a entrar, o que é muito bom porque Portugal tem uma lista cheia de craques para representar o país. Para o míster não é tão bom porque tem dores de cabeça para escolher quem irá jogar e representar o país. Estive algumas vezes em pré-época nos EUA. Somos todos profissionais e continuamos a treinar para estarmos sempre bem quando nos apresentamos na Seleção."
Jogar pela primeira vez um Campeonato do Mundo
"O que eu diria ao Nélson Semedo de 18 anos? Nessa altura, a jogar no Sintrense, se calhar o meu maior sonho era ser um jogador profissional de futebol e isso aconteceu. Depois, tive a sorte de representar o clube que eu apoio, de jogar por grandes clubes. Representar a Seleção é a cereja do topo do bolo e representar Portugal num Mundial é um sonho tornado realidade. Lembro-me do último Mundial, o único em dezembro, e perdi a carruagem. Por isso, estou muito feliz por cá estar."
Este é o Mundial muito especial para ti e também para a família toda, até porque Cabo Verde também vai lá estar?
"Diria que vai ser um Mundial perfeito. Toda a família está contente. Tive a oportunidade de vê-los agora contra a Sérvia no Estádio de Belém. E estou muito contente. À semelhança de Portugal, também são um país pequeno mas com muita qualidade e acho que tiveram todo o mérito de se qualificarem para o Mundial. Espero que desfrutem. Se tivermos de nos encontrar, sonharia que fosse só na final."
Qual seria um bom resultado de Portugal no Mundial?
"Temos de encarar o Mundial jogo a jogo, sabendo que há uma luz ao fundo do túnel e onde queremos chegar. Mas para já temos de pensar só no primeiro jogo e a partir daí ver o que se pode fazer. Temos uma grande equipa, somos Portugal, mas também sabemos que só isso não chega. Temos de dar o máximo dentro de campo e só assim é que poderemos chegar onde queremos."
Quais as principais aprendizagens que retirou no futebol turco?
"Estou a aprender bastante, é uma liga diferente. Tive na portuguesa, na La Liga, na Premier League, a melhor do mundo, e agora estou no campeonato turco. É um campeonato com boas equipas e condições, obviamente que há muito que melhorar. Sobre a adaptação do Matheus Nunes, eu já lhe disse que foi das melhores coisas que lhe aconteceu, especialmente numa equipa como o Manchester City. É engraçado porque quando eu cheguei ao Benfica jogava como número 8, mas encontrei craques como o Bernardo Silva, o Rúben Pinto, malta com muita qualidade, e tive a sorte de ter um treinador, o míster Hélder Cristóvão, que me aconselhou a ficar no plantel - foi o pioneiro de eu ser lateral. E graças a Deus foi a melhor coisa que me aconteceu. A partir daí, comecei a construir a minha carreira. É como eu disse ao Matheus, há males que vêm por bem e o facto de estar a jogar no Manchester City e ter sido importante é muito bom para ele."
Conheces alguns dos jogadores da seleção chilena? Arturo Vidal continua a jogar no Colo-Colo, ainda falas com ele?
"Claro que sim, todos nós conhecemos os jogadores da seleção do Chile. Têm uma equipa muito boa. Como uma seleção sul-americana, sabemos e temos noção da intensidade que colocam nos jogos, portanto, estamos prontos. Continuamos a treinar. Sobre o Arturo? Só tenho coisas boas a dizer sobre ele. Passámos um bom tempo junto. Encantou-me como pessoa. Como jogador mostrou ao mundo as suas qualidades e o quão bom era, mas como pessoas as pessoas não têm noção de como ele é. Mando-lhe um abraço e desejo-lhe tudo de bom."
Sente que Portugal é uma das seleções favoritas? Há pouco disse que jogou no clube que apoia. No ano passado foi associado ao Benfica. Voltar a Portugal é algo que lhe passa pela cabeça?
"Acho que temos uma geração muito boa, espetacular. Temos um misto de jogadores jovens já com muita experiência e outros jogadores mais velhos também com muita qualidade e experiência. Temos um grande grupo e obviamente que temos de ter responsabilidade. Sabemos qual é o nível que temos de estar. Já tivemos outras gerações, ótimas, por exemplo do Rui Costa, do João Pinto que está ali sentado, mas sim, acho que temos uma equipa muito boa e é trabalhar. Sabendo que somos Portugal, com os pés assentes no chão, irmos ao Mundial com tudo. Sobre a segunda questão, acho que não é pertinente responder a isso agora. Estamos na Seleção e é no que temos de nos focar agora."
Como perspetiva o jogo contra o Chile? Surpreendido pelo facto de o Chile não estar no Mundial?
"Na verdade, sim, porque o Chile sempre teve seleções muito boas - mesmo agora tem. Esperamos que vá ser um jogo complicado, contra um adversário com muita intensidade e que joga contra Portugal, portanto, esperamos também que tenham ainda mais motivação para ganhar. Espero que seja um bom jogo e que todos desfrutem."
Mundial