Milei expressa apoio após polémica faixa sobre as Malvinas: «Na pior das hipóteses é uma multa de 30 mil dólares»
Presidente da Argentina considera o ato de alguns jogadores "perfeitamente válido e legítimo"
Seguir Autor:
O Presidente da Argentina expressou esta quinta-feira apoio aos futebolistas argentinos que exibiram uma faixa a reivindicar a soberania das ilhas Malvinas no final do jogo frente à Inglaterra, considerando que se tratou de um ato "perfeitamente válido e legítimo".
"É um sentimento que existe em todos os argentinos, e é perfeitamente válido e legítimo que queiram expressá-lo e fazê-lo", declarou Javier Milei em entrevista ao jornal El Observador, quando confrontado com a polémica ocorrida no final da partida das meias-finais do Mundial, disputada na quarta-feira em Atlanta, Estados Unidos, quando alguns jogadores da seleção sul-americana exibiram uma faixa onde se lia "As Malvinas são argentinas", durante os festejos no relvado pela vitória por 2-1 sobre a Inglaterra.
Milei insistiu que "as Malvinas são, de facto, argentinas", mas defendeu uma separação entre política e futebol, afirmando que a Argentina vai "recuperar por meios diplomáticos" o controlo sobre o arquipélago.
"Um jogo de futebol é um jogo de futebol, e foi assim que o treinador entendeu, e foi assim que os veteranos (da Guerra das Malvinas) entenderam. O que acontece em campo com os jogadores não faz parte da diplomacia", declarou.
Sobre eventuais sanções da FIFA, o chefe de Estado mostrou-se pouco preocupado, apontando que, "na pior das hipóteses, a Argentina receberá uma multa de 30 mil dólares".
O Reino Unido pediu hoje à FIFA uma investigação à Argentina depois do episódio no final da partida, recordando que o organismo que tutela o futebol mundial proíbe expressamente a exibição de quaisquer mensagens de teor político e, no passado, impôs sanções pesadas a quem o fez.
Relacionadas
"O Mundial pode não ser nosso, mas as Falklands são-no certamente. A nossa posição permanece inalterada. A autodeterminação pertence aos ilhéus, e o nosso compromisso com as Falklands nunca vacilará ", comentou um porta-voz do primeiro-ministro, Keir Starmer, usando a designação britânica para o arquipélago.
O porta-voz indicou que o chefe de Governo britânico apoia os pedidos para a abertura de uma investigação à seleção da Argentina.
O ministro da Economia e Comércio do Reino Unido, Peter Kyle, também já se pronunciou sobre este caso, classificando o comportamento dos jogadores argentinos como "completamente inadequado" e exortou o organismo máximo que tutela o futebol mundial a conduzir "uma investigação completa".
Em 2014, a Argentina foi multada pela FIFA por exibir uma faixa com o mesmo 'slogan' no final de um jogo particular contra a Eslovénia.
Um caso semelhante ocorreu com a seleção espanhola e levou à suspensão, por um jogo, dos futebolistas Rodri Hernández e Álvaro Morata, por terem cantado "Gibraltar é espanhol" durante os festejos em Madrid pela conquista do Campeonato da Europa de 2024.
A disputa pela soberania do arquipélago no Atlântico Sul, que remonta ao século XIX, atingiu o auge na guerra iniciada a 2 de abril de 1982 pela ditadura argentina, quando o regime de Jorge Rafael Videla decidiu invadir as ilhas, desencadeando um conflito militar com o Reino Unido que se prolongou por 10 semanas e que provocou a morte de 255 soldados britânicos e 650 argentinos.
Ao cabo de pouco mais de dois meses de combates, a Argentina rendeu-se e retirou-se do arquipélago.
Em 2013, realizou-se um referendo nas ilhas, no qual os habitantes votaram esmagadoramente a favor da manutenção do estatuto do arquipélago como território ultramarino dependente do Reino Unido, uma consulta que Buenos Aires sempre considerou ilegal.
Mundial