N'Dinga otimista com prestação de Portugal: «Não estou a ver outra equipa superior na forma de jogar»
Antigo médio do V. Guimarães espera que a Seleção Nacional vença o Mundial'2026
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O favoritismo de Portugal vai ser colocado à prova pela resistência defensiva e fisicalidade da República Democrática do Congo na quarta-feira, na primeira jornada do Grupo K do Mundial'2026, perspetiva o ex-internacional zairense N'Dinga.
"Margem para facilitismos? Nem um bocadinho. Estou a ser muito sincero: acho que Portugal deverá ganhar, mas nunca pode dar chances, porque, se o adversário fizer um golo, vai mesmo fechar-se [em zonas defensivas]. Por isso, têm de estar muito atentos", reconheceu à agência Lusa o antigo médio, de 59 anos, que se destacou pelo Vitória de Guimarães, entre 1986 e 1996, e acumulou 16 internacionalizações e dois golos pelos leopardos.
Portugal, detentor da Liga das Nações, defronta a República Democrática do Congo na quarta-feira, às 12H00 locais (18H00 em Lisboa), no Estádio NRG, em Houston, nos Estados Unidos, para a ronda inaugural do Grupo K da primeira fase do Campeonato do Mundo, que tem ainda um duelo entre o estreante Uzbequistão e a regressada Colômbia, na Cidade do México.
"Portugal só precisa de ser Portugal e tem de jogar da maneira como joga. Terá de correr um pouco mais, porque de certeza que os congoleses vão tentar dar tudo. Este jogo vai dar-lhes motivação extra, pelo que mostrarão mais força para não perder ou até pontuar", referiu N'Dinga, recordista de partidas ao serviço do Vitória de Guimarães no principal escalão (285).
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A República Democrática do Congo volta ao principal torneio internacional de seleções 52 anos depois da única presença como Zaire, designação em vigor até 1997 e com a qual o ex-médio disputou quatro Taças das Nações Africanas (CAN), tendo atingido os quartos de final em 1992, 1994 e 1996.
"Nesta altura, deve ser o sexto ou sétimo melhor de África. Se passar a primeira fase num grupo com duas grandes equipas, como Colômbia e Portugal, já vai ser uma vitória", assumiu, sobre um objetivo destinado aos dois primeiros classificados das 12 'poules' e aos oito melhores terceiros.
Eliminados pela Argélia nos oitavos da CAN'2025, os campeões africanos em 1968 e 1974 são treinados pelo francês Sébastien Desabre e mostram coesão para N'Dinga, que realça o lateral direito Aaron Wan-Bissaka e os defesas centrais Axel Tuanzebe e Chancel Mbemba, antigo futebolista do campeão português FC Porto e recordista em internacionalizações (109).
Nos 13 embates de acesso ao Campeonato do Mundo, os leopardos não sofreram golos em oito e sofreram apenas sete, qualificando-se para a fase final em março, com uma vitória sobre a Jamaica na final do primeiro caminho do play-off intercontinental (1-0, após prolongamento), no México.
"Não marcam muitos golos, mas também não sofrem tantos. São bons a defender. Se precisarem de jogar no contra-ataque, quase nunca o fazem. Constroem, apesar de, para mim, ainda não estarem muito bem nisso", detalhou, com Yoane Wissa e Cédric Bakambu a sobressaírem no ataque.
Dos 26 convocados por Desabre, que orienta a República Democrática do Congo desde 2022, só dois não pertencem a clubes europeus, tendência antagónica a 1974, quando o Zaire contou com 22 futebolistas a alinhar no próprio país para o Mundial realizado na então Alemanha Ocidental (RFA).
Portugal tem talvez o melhor meio-campo do mundo, uma boa defesa e Cristiano Ronaldo pode ser muito importante
N'Dinga
"É uma força, vai ajudar um bocado e fará com que eles não tenham tanto complexo. Quando eu jogava, o problema maior era que nunca tínhamos uma seleção que atuasse muitas vezes [de uma forma continuada]. Ele [Sébastien Desabre] formou e conseguiu ter uma equipa", notou N'Dinga.
Vencedor de uma Supertaça Cândido de Oliveira, o ex-médio do Vitória de Guimarães fala num duelo especial entre República Democrática do Congo e Portugal, "os dois países da sua vida", desejando que ambos "cheguem o mais longe possível" e que os lusos conquistem um inédito título mundial.
"Portugal teve sempre uma grande equipa e não estou a ver outra superior na forma de jogar. Tem talvez o melhor meio-campo do mundo, uma boa defesa e Cristiano Ronaldo pode ser muito importante. Querendo ou não, ele sabe decidir jogos por vezes. Para mim, os melhores podem ser França e Portugal", frisou, ainda à procura de ingressos para a partida de quarta-feira.
Radicado em Toronto, uma das duas cidades-sede do coanfitrião Canadá no Mundial'2026 e local de residência de uma vasta comunidade de emigrantes portugueses, N'Dinga espera que lusos ou congoleses joguem ali nos 16 avos de final se terminarem a primeira fase no segundo lugar no Grupo K.
"Se alguma seleção de África fizer qualquer coisa de espetacular, vou ver isso com normalidade, porque o futebol já não é o que era, as equipas têm muito conhecimento e não há tanta diferença a nível físico e mental. Quem aguentar a pressão tem mais chances de ganhar", finalizou, evocando o melhor resultado de sempre do continente, com o quarto lugar de Marrocos em 2022, no Qatar.
A República Democrática do Congo é uma das 10 seleções africanas em competição, a par de Cabo Verde, número sem precedentes e distante do cenário de 1974, quando o continente apenas foi representado pelo Zaire.
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