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Olegário Benquerença: «Não considero anormal a presença de um árbitro português na fase final do Mundial»

João Pinheiro e os assistentes Bruno Jesus e Luciano Maia foram nomeados para a competição que arranca a 11 de junho

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João Pinheiro estará no Mundial'2026
João Pinheiro estará no Mundial'2026 • Foto: Luís Manuel Neves
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O ex-árbitro internacional Olegário Benquerença, que esteve no Mundial'2010, na África do Sul, afirmou à agência Lusa que é normal que a arbitragem portuguesa esteja representada na fase final da competição deste ano.

O árbitro internacional João Pinheiro, de 38 anos, da associação de Braga, juntamente com os assistentes Bruno Jesus e Luciano Maia, foi nomeado para o Campeonato do Mundo de 2026, que se disputará no Canadá, México e Estados Unidos, de 11 a 19 de julho.

Portugal volta assim a ter um árbitro numa final, 12 anos depois de Pedro Proença ter dirigido três jogos no Mundial de 2014, no Brasil.

"Não considero que seja anormal a presença de um árbitro português, tendo em consideração que o nível da nossa arbitragem é reconhecido pelas instâncias internacionais, seja a FIFA seja a UEFA", adiantou Olegário Benquerença, ao lamentar que em Portugal se "endeusem algumas figuras que disso têm pouco" e que "denigra sistematicamente a arbitragem".

O antigo árbitro da Associação de Futebol de Leiria destacou que os juízes portugueses têm demonstrado "dentro e fora do país a sua qualidade, sendo certo que não são infalíveis, cometem erros, como cometem os jogadores".

Referindo que a fase final do Mundial de 2026 tem um maior número de seleções, Olegário Benquerença constatou que tem de haver um aumento do número de árbitros.

"A arbitragem portuguesa teria sempre lugar num lote restrito. E, neste modelo, só mesmo uma catástrofe é que faria com que não tivéssemos presente algum árbitro", defendeu.

Em relação às expectativas sobre os desempenhos de João Pinheiro no Mundial deste verão, o antigo juiz de Leiria espera "aquilo que se espera sempre de qualquer árbitro que está ao mais alto nível na estrutura da arbitragem mundial".

"João Pinheiro pertence ao grupo de elite e, obviamente, podendo ter prestações menos positivas, porque os árbitros cometem erros como cometem os jogadores, estando ao seu nível, com certeza que não nos vai envergonhar", frisou.

Para Olegário Benquerença, estar na fase final de um Mundial de futebol é o "sonho de qualquer árbitro" desde que tira o curso e quando atinge o estatuto de árbitro internacional, "sendo certo que esse é um privilégio que só está ao alcance de muito poucos".

Atingir esse patamar é o "equivalente a ser campeão numa equipa ou campeão olímpico para um atleta.

"É a concretização de um objetivo de vida desportiva e, sem dúvidas, que é o ponto mais alto da carreira de um árbitro", confessou.

Recordando o Mundial da África do Sul, o ex-árbitro observou que enfrentou um processo de três anos, desde a pré-seleção até integrar os 24 eleitos. "É altamente desgastante, moroso, muito exigente e de trabalho diário para estarmos sempre 100% preparados para atingirmos esse objetivo", explicou.

Ao chegar ao local, os árbitros entraram "num regime de concentração permanente", no caso de Olegário Benquerença, foram 33 dias na África do Sul.

Sobre as diferenças de atuar nos jogos portugueses e num Mundial, Olegário Benquerença assegurou que "são realidades totalmente diferentes".

"Qualquer liga doméstica tem as suas rivalidades, enquanto um Campeonato do Mundo começa por ser logo à partida uma festa", disse.

Quando o primeiro pontapé de saída for dado no Mundial 2026, algumas regras da arbitragem serão novas, mas para Olegário Benquerença as alterações não serão problemáticas

"A exigência e o estudo são diários. Quando vão apitar, os árbitros já tiveram formação para estarem conhecedores a 100% dessas alterações", reforçou, ao acrescentar que "o estudo dos árbitros é permanente", pois "há sempre aprendizagens a fazer com situações que aconteceram na jornada anterior", até porque "nunca existem dois lances iguais" e "cada momento de jogo é um momento único e irrepetível".

"Portanto, temos de trabalhar sempre para estar preparados para as diferentes situações que possam ocorrer, até porque temos de decidir naquele momento", concluiu.

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