Steven Vitória confiante numa boa prestação do Canadá: «É bonito ver crianças e famílias juntas à volta do futebol»
Antigo internacional, conhecido do futebol português, garante que existe "muita alegria e expectativa" no país
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O Canadá tem tentado capitalizar a coorganização do Mundial'2026 e as duas presenças seguidas da seleção em fases finais ao serviço da evolução futebolística do país, assume o ex-internacional Steven Vitória.
"Existe muita alegria e expectativa, sabendo que não é um país em que o futebol seja o desporto-rei. Há sempre essa incógnita. Agora, é a primeira vez que o Canadá organiza um Campeonato do Mundo e está em edições consecutivas. Isso está a ajudar a mudar gerações e a criar algo. É bonito ver crianças e famílias a juntarem-se à volta do futebol", partilhou à agência Lusa o antigo defesa central, de 39 anos, que fez 46 jogos e cinco golos nos canucks, entre 2016 e 2023, e participou no Mundial'2022, no Qatar.
A 23.ª edição do Campeonato do Mundo realiza-se de 11 de junho a 19 de julho e integra pela primeira vez 48 seleções, incluindo Portugal, num total de 104 jogos, sob inédita organização tripartida entre Estados Unidos, México e Canadá.
Ao contrário dos norte-americanos, anfitriões em 1994, e dos mexicanos, em 1970 e 1986, os canadianos nunca acolheram fases finais do principal torneio internacional de seleções e preparam-se para a terceira participação, após duas eliminações na fase de grupos, a primeira há 40 anos.
"O hóquei no gelo, o basebol e o basquetebol dominam num país que é multicultural, mas toda a gente fala do Mundial'2026 há bastante tempo e a seleção está a crescer bem e rápido. Sendo um país grande e com muito potencial, está bem melhor [na implantação social do futebol] e a dar passos seguros e largos nessa direção. Há imensas crianças e, em termos de condições para jogar e desfrutar, sinto que podia e devia haver maior impacto depois dos últimos quatro anos e das idas aos Mundiais", admitiu.
Totalista nas derrotas do Canadá perante Bélgica (1-0), Croácia (4-1) e Marrocos (2-1) em 2022, Steven Vitória acredita que a seleção orientada por Jesse Marsch, que renovou recentemente até 2030, chega com maior maturidade aos jogos com a regressada Bósnia-Herzegovina, o Qatar e a Suíça no Grupo B.
No último quadriénio, os canadianos foram quartos classificados na estreia na Copa América, em 2024, por entre um segundo e um terceiro lugares na Liga das Nações da América do Norte, Central e Caraíbas (CONCACAF) em 2023 e 2025, respetivamente, anos em que ficaram como coanfitriões pelos quartos de final da Gold Cup, longe das conquistas de 1985 e 2000.
"A experiência vivida no Qatar foi uma novidade para todos e vai ser interessante ver como se reflete depois de quatro anos em que a equipa cresceu e há cada vez mais jogadores em grandes clubes. Isso só fortalece o Canadá, mas há outros conjuntos fortes e tudo pode acontecer. É um excelente momento para a seleção e o país. Esperemos que tudo se junte na altura certa e seja um Mundial lindo e de muito sucesso", apelou.
Ex-jogador de Benfica, Estoril, Moreirense, Chaves ou Boavista, entre outros clubes portugueses, Steven Vitória destacou figuras como Alphonso Davies e Jonathan David, além do capitão Stephen Eustáquio, emprestado pelo FC Porto aos norte-americanos do Los Angeles FC, que também tem dupla nacionalidade e atuou nas seleções jovens lusas antes de representar os canucks.
"O Eustáquio é um senhor de pessoa e de jogador e manda naquele meio-campo, mas há outros craques e está tudo alinhado para ser um excelente Mundial, porque eles merecem e trabalham para isso. Não é por acaso que o Canadá está em duas fases finais seguidas e organiza uma delas. Pelos amigos que lá tenho, espero bem que seja um grande sucesso", afiançou o campeão nacional pelo Benfica em 2013/14 e vencedor da 2.ª Liga ao serviço da Olhanense, em 2008/09, e do Estoril, em 2011/12.
Nascido em Toronto, uma das duas cidades-sede canadianas no Campeonato do Mundo, a par de Vancouver, Steven Vitória fez a maioria da carreira em Portugal, onde chegou aos 18 anos e ainda reside, e almeja à distância que o torneio fomente "o bem-estar e a segurança das pessoas", apesar das tensões comerciais e geopolíticas entre os três coanfitriões.
"É normal que haja poucos jogos no Canadá e um bocadinho mais no México. Tudo vai estar, de certa forma, mais envolvido com os Estados Unidos, até pelas suas condições e poder, mas só fazer parte desta organização traz esperança e é um motivo para juntar o povo e celebrar o desporto", concluiu o adjunto da Indonésia, numa equipa técnica liderada pelo inglês John Herdman, selecionador dos canucks no Mundial'2022.
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