Tebas fala em "cúmplices ativos e passivos" da FIFA e volta à carga: «O tempo de Infantino acabou»
Presidente da LaLiga lamenta que a FIFA "faça e decida da maneira que quer, quando quer, seguindo apenas os seus interesses"
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Javier Tebas tem sido um dos críticos mais vocais de Gianni Infantino, presidente da FIFA, e esta terça-feira voltou ao ataque. Em entrevista à 'Gazzetta dello Sport', o presidente da LaLiga, que esteve nos Estados Unidos a acompanhar de perto o Mundial'2026 e elogiou a conquista da seleção espanhola, deixou duras críticas ao "sistema podre" que, na sua opinião, continua a existir no organismo que gere o futebol a nível mundial, e lembrou o 'caso Balogun' para frisar que Infantino já deveria ter deixado o cargo que ocupa.
"A FIFA organiza as coisas como quer e tendo em conta os seus melhores interesses, não os do futebol. Se precisassem de um intervalo de 27 minutos, seria isso que fariam. As pausas para hidratação são uma mentira. Temos essas pausas na LaLiga, mas só quando está mesmo muito calor. Os estádios aqui tinham ar condicionado, eu estava nas bancadas e precisei de vestir um casaco. Foi tudo uma mentira, uma pausa para anúncios. E depois, o caso Balogun...", apontou.
E, sempre em tom crítico, acrescentou: "É a prova de que somos governados por uma instituição que faz e decide da maneira que quer, quando quer, e que só segue os seus interesses sem considerar o futebol. O sistema tem cúmplices ativos que colaboram com este tipo de decisões e cúmplices passivos que não se manifestam e não fazem nada. Criticam o sistema enquanto tomam café ou falam ao telemóvel, mas depois não fazem nada. O caso Balogun foi gravíssimo. Tiveram sorte porque a Bélgica eliminou os Estados Unidos, mas caso contrário isto poderia ter custado o cargo a Infantino. Como a Bélgica venceu, conseguiram abafar o tema".
Depois, Tebas lamentou que ninguém se candidate contra Infantino: "Acho que o tempo dele acabou. Mas tem o apoio do sistema, das federações... Não há muito mais a dizer. Não há candidato da oposição. Ninguém se quer candidatar para perder. O sistema está podre".
Por fim, e num registo mais descontraído, o dirigente espanhol, de 63 anos, explicou o 'segredo' para o triunfo da La Roja: "É um esforço de toda a comunidade. Começa nos clubes, que fortaleceram e cuidaram das suas academias ao longo dos anos. Depois, da LaLiga, uma competição poderosa, de grande qualidade e sustentável, que 'deu' 17 dos 26 jogadores a esta seleção. E, claro, da federação, que sabe como selecionar e desenvolver o talento nacional que há nos clubes", concluiu.
Recorde-se que, há cerca de duas semanas, Javier Tebas também veio a público para, através de uma publicação nas redes sociais, dizer que o 'caso Balogun' se tratava apenas da "ponta do iceberg de um modelo de governação que há muitos anos vem deteriorando a credibilidade da FIFA e do futebol".
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