Da discussão com Cherki às lágrimas de Olise: os bastidores do último jogo de Deschamps
'L'Équipe' revela como o selecionador viveu o dia que marcou um ponto final numa ligação com 14 anos
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A despedida que ninguém queria. Foi com uma derrota diante da Inglaterra (4-6) - e um balneário alegadamente dividido - que Didier Deschamps colocou ontem [sábado] um ponto final à ligação de 14 anos à seleção francesa. Se o desaire com a Espanha nas meias-finais tinha dado uma forte machadada na relação entre os jogadores e o selecionador, a primeira parte para esquecer diante dos ingleses serviu para levantar o véu - agora a público - sobre os problemas que já se sentiam no balneário dos 'Bleus'.
Rayan Cherki, um dos jogadores que criavam muita expectativa junto dos adeptos franceses, acabou por passar ao lado do Mundial'2026. Diante da Inglaterra, o craque do Manchester City somou a sua primeira titularidade no torneio, mas a escolha de Didier Deschamps rapidamente se virou contra o selecionador. Durante a pausa para hidratação dos jogadores, altura em que a França já perdia por 2-0, o selecionador francês alertou o craque para libertar a bola mais rápido, um comentário que o jogador não gostou. A frustração de ambos - do selecionador pela resposta de Cherki e do futebolista pelo pedido do técnico - foi captada na transmissão televisiva do encontro.
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Momento entre ambos após a vitória sobre a Suécia foi um dos primeiros sinais
O desentendimento entre Cherki e Deschamps não é algo propriamente recente neste Mundial. O primeiro sinal de alerta surgiu logo após a vitória da França sobre a Suécia, nos 16 avos de final. Numa altura em que os jogadores se cumprimentavam ou agradeciam o apoio do público, o selecionador francês dirigiu-se ao extremo para o cumprimentar, mas Cherki praticamente ignorou o técnico, que ainda forçou uma conversa com o esquerdino. Através de um vídeo que rapidamente circulou pelas redes sociais, é possível ver Deschamps a falar com Cherki, enquanto o jogador primeiro muda de direção e depois baixa as meias de jogo. Era um dos principais sinais de rutura na relação entre o selecionador e o craque.
Michael Olise responsabilizou-se pela derrota diante da Inglaterra
Importante na resposta da França à humilhação que estava a sofrer frente à Inglaterra, Michael Olise não escondeu a desilusão após o apito final. Segundo o jornal 'L'Équipe', o craque do Bayern Munique foi muito autocrítico e assumiu a responsabilidade pelo resultado, depois de ter desperdiçado duas excelentes ocasiões para marcar, e acabou por chorar já no interior do balneário.
Depois do encontro, Deschamps assumiu ter tido uma conversa com o extremo de 24 anos, embora não tenha revelado o teor da mesma. Apesar de não ter sido feliz no capítulo da finalização, Michael Olise terminou o Campeonato do Mundo com um total de sete assistências - cinco delas para Mbappé -, número que o coloca diretamente na 2.ª posição na lista de jogadores com mais passes para golo numa única edição do Mundial de futebol, apenas atrás do registo do compatriota Raymond Kopa, que em 1958 fixou o recorde absoluto em oito.
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