A última conversa que teve com o pai, o prato que mais aprecia e o hábito de cantar no duche: o lado pessoal de Martínez
Selecionador nacional em entrevista à SIC
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Roberto Martínez recordou a última conversa que teve com o pai e o que este lhe pediu antes de falecer. Entre revelações surpreendentes e algumas promessas, o selecionador nacional sublinhou, em entrevista à SIC, o desejo de ganhar o Campeonato do Mundo e deu conta de como gostaria de ser relembrado quando deixar Portugal.
"Estamos à procura de um sonho. Nunca ganhámos um Mundial. Na Liga das Nações, a forças dos nossos adeptos foi incrível. Uma equipa que ganha o Mundial não quer dizer que seja a melhor, mas a equipa que quando o momento dificil chega consegue reagir com responsabilidade. Precisamos de ter humildade, os valores do povo português."
O que faz o selecionador durante um Mundial?
"Jogadores, equipa técnica, todos temos uma responsabilidade muito clara em relação ao trabalho. Depois há o aspeto de convívio. As equipas precisam do convívio para que os jogadores possam desligar. Importante perceber como está a pessoa que joga futebol"
Conversa com os jogadores...
"É essencial. Um selecionador precisa de tomar decisões e é importante perceber que a pessoa que joga futebol está bem. O aspeto psicológico é crucial. No fim, é o jogador que ganha o jogo no relvado"
Sobre as famílias, vai voltar a permitir abrir as portas?
"Vou, vou. Estamos a pedir aos jogadores para ganharem um Mundial e ficarem 30, 40, 50 dias sem verem as famílias. Isso não é normal. Precisamos de ajudá-los a ter o contexto familiar que seja normal"
Momentos de tensão
"Sou uma pessoa muito racional que gosta da solidão. Quando há um desempenho mau, eu preciso de perceber o porquê e isso consigo sozinho, muita paciência. É um aspeto que aprendi, não estar com a família"
Depois de cada jogo vai dormir sem ver essa partida?
"Gosto de ver o jogo quase 15 vezes, desde o ângulo de todos os jogadores. Os analistas fazem um trabalho que nos permitem ver o jogo em 26 minutos."
A preparação para este Mundial...
"Precisamos de gerir o fuso horário, clima, tempestades, diferentes tipos de relva. Foi importante jogar no Azteca, apanhar voos, chegar à meia-noite, ajustar rapidamente e ter um jogo num estádio fechado"
Tempestades e o facto de o jogo poder ficar parado muito tempo
"Tivemos essa situação no jogo do Benfica com o Chelsea. O jogo pára 30 minutos, mas depois foram quatro blocos de 30 minutos e é importante preparar o que os jogadores podem fazer nesse período"
Tradições e hábitos
"Em todos os Mundiais, gostava de ligar ao meu pai quando a equipa estava a fazer o aquecimento. Era o momento de receber força, poder partilhar o momento do jogo com o meu pai"
Sentiu que o seu pai esteve consigo na Liga das Nações?
"Senti, senti... a última conversa que tive com o meu pai antes de falecer ele disse 'vamos ganhar a Liga das Nações e tu tens que ganhar o Mundial'. Foi uma conversa para dizer 'vou estar contigo e tudo vai correr bem'. Foi um momento difícil porque não estamos preparados para perder entes queridos. Mas ele, como sempre fez, fixou o propósito e o objetivo. Jogar contra a Espanha, o país do meu pai... o jogo teve um significado além de ganhar o título"
E vai falar com ele durante este Mundial?
"Falo, falo. Aprendi a viver à distância desde os 16 anos... então procuro momentos em que está lá e é uma energia. Ajuda..."
É católico? E reza?
"Sou. Rezo para ter frescura e executar aquilo que tenho planeado, não para ter sorte"
Diogo Jota
"Todas as pessoas têm uma forma diferente de ter a presença do Diogo. Para nós, é uma inspiração, uma luz, uma responsabilidade para fazermos aquilo em que ele era o melhor, que era acreditar, ter garra. Há jogadores que gostam de falar dele, outros só pensar. O Diogo é uma força, luz, e precisamos de dar tudo para poder demonstrar que a nossa responsabilidade é o sonho do Diogo."
Como tem sido a sua vida em Portugal?
"Adoro viver em Portugal. Para já, em casa é uma vitória. Eu sou ibérico, as minhas filhas são inglesas, a minha esposa escocesa. Estive quase durante quase 30 anos a tentar explicar que a vida em Portugal e Espanha são diferentes. Tenho duas filhas... adoram estar em Portugal, o clima, as pessoas. Sinto-me mais português todos os dias. O que mais gosto? Tudo. O clima, as pessoas que são muito abertas. A comida. O que mais gosto? Agora mudei. Comecei com o Bacalhau à Brás, mas agora é o Bacalhau Espiritual. Gosto de experimentar pratos diferentes. Há muitos"
Já diz asneiras em português?
"Há momentos, há momentos... [risos]"
Gosta de música?
"Gosto. Quando temos momentos para chegar a tempo, utilizo uma playlist. Tenho uma playlist de 5 minutos, uma de 10 minutos, de 15 minutos. E gosto de ter as mesmas músicas e tenho muitas músicas portuguesas. Gosto muito da Sara Correia. São músicas que têm memórias de apuramentos, de momentos importantes."
Gosta de cantar?
"Muito. Quando tomo duche gosto de cantar sempre, de tudo. Agora tentei chegar ao nível do Pedro Abrunhosa, mas é muito difícil"
Está preparado para cantar, dançar e beber um pouco de champanhe?
"Estou. O sonho de ganhar o Mundial, poder fazer o que a Seleção de 1966 mereceu, seria para cantar, bailar, beber... tudo o que seja necessário para celebrar com o nosso povo português"
Como gostava de ser recordado quando sair de Portugal?
"Como uma pessoa que teve um compromisso total e que tentou tomar decisões, não para o momento, mas para a história de Portugal. Tentar que durante o Mundial tenhamos memórias"
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