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Espanhóis intrigados com "enigma de Vitinha e João Neves": «Esqueceram-se de jogar futebol?»

'Marca' analisa dados da dupla do meio-campo da Seleção Nacional e chega à conclusão de que a explicação é "mais estrutural do que individual"

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João Neves e Vitinha
João Neves e Vitinha • Foto: Luís Manuel Neves
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A falta de rendimento da dupla Vitinha-João Neves no Mundial'2026 depois de uma grande temporada ao serviço do PSG não passou despercebida à imprensa espanhola. A 'Marca' dedica esta quarta-feira um extenso artigo a analisar o desempenho de ambos ao longo da competição, no qual, logo no primeiro parágrafo, questiona: "Menos influência, menos peso no jogo. A pergunta, então, é: 'Esqueceram-se de jogar futebol?'. No título, o jornal já se tinha mostrado intrigado: "O enigma de Vitinha e João Neves: de dominar a Europa com o PSG a fracassar no Mundial com Portugal". 

De acordo com a análise do diário de Madrid, a explicação é "mais estrutural do que individual" porque "Portugal não reproduz o ecossistema que torna Vitinha e João Neves em futebolistas diferenciados no PSG". "Ambos mantêm ou melhoram a sua percentagem de passes a romper linhas. O que desce é o valor das suas intervenções: menos passes a romper linhas, menos sob sob pressão, menos conduções progressivas, menos pressão eficaz e menos continuidade ofensiva", sublinha, antes de entrar em detalhes, com números concretos.

Depois, a 'Marca' analisa individualmente cada jogador e chega a uma conclusão: os dois médios portugueses não falham mais com a Seleção.

"Vitinha não falha mais com a seleção. Pelo contrário: a sua percentagem de passe até sobe, de 93,2% no PSG para 95,1% com Portugal. Também mantém uma percentagem alta de passe no último terço: de 86,4% para 87,2%. Portanto, a explicação não passa por uma perda de precisão, por uma má tomada de decisão básica ou por uma quebra técnica. Vitinha continua a acertar. O que muda é o valor das suas intervenções".

O mesmo acontece então com João Neves: "Apresenta uma quebra estrutural semelhante. O dado fundamental é o mesmo: a sua precisão não desce. A sua percentagem de passe subiu de 91,2% no PSG para 96,1% com Portugal. Mas essa maior segurança vem acompanhada de menos impacto. João Neves também continua a acertar. O que perde é capacidade para que esse acerto se converta em vantagem".

A 'Marca' chega então a uma conclusão: "Os dados não mostram dois futebolistas tecnicamente imprecisos, mas sim dois médios de elite desligados dos mecanismos que elevam o seu impacto. Portugal conserva-lhes o passe; retira-lhes a vantagem. O PSG fabrica contexto. Portugal exige mais soluções individuais. E aí, a mudança de ecossistema nota-se demasiado".

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