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Luís Castro: «Contra a Espanha vai ser necessário defender em bloco baixo e não dar tanto espaço em alguns momentos»

Treinador do Levante acredita que controlo do meio-campo ajudará Portugal a condicional a seleção espanhola

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 Luís Castro
Luís Castro • Foto: EPA
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O controlo do meio-campo ajudará Portugal a condicionar a campeã europeia Espanha na segunda-feira, nos oitavos de final do Mundial'2026, perspetiva o treinador luso Luís Castro, a orientar o Levante, do escalão principal espanhol.

"São duas das melhores seleções. Na final da Liga das Nações, a Espanha dominou mais com bola. Neste momento, Portugal poderá contrariar um pouco mais essa característica do adversário, porque tem atletas no meio-campo com muita bola e controlo de jogo elevado. Isso pode favorecer-nos, até porque a Espanha não se sente confortável nesse aspeto", referiu à agência Lusa o técnico, de 46 anos, que manteve o Levante em 2025/26.

Portugal defronta a Espanha, campeã do mundo em 2010 e frente à qual conquistou a Liga das Nações em 2025, na segunda-feira, às 14h00 locais (20h00 em Lisboa), no Estádio AT&T, em Arlington, nos Estados Unidos, para os oitavos de final do Mundial'2026, na segunda ronda a eliminar de uma prova que está a ser disputada pela primeira vez por 48 seleções.

"De um lado e do outro estão alguns dos melhores jogadores do mundo. Na seleção espanhola, quase todos competem no próprio campeonato, conhecem-se muito mais e as equipas mostram normalmente um futebol idêntico. Isso pode favorecê-los, mas Portugal também tem nomes ao mais alto nível. Alguns atuam em Espanha, conhecem bem os futebolistas espanhóis e sabem aquilo em que eles podem ser melhores", enquadrou.

Luís Castro lembra a importância de as equipas "estarem no máximo" em embates a eliminar, que "muitas vezes se decidem em pormenores", e vê capacidade em Portugal e Espanha para "darem mais do que têm dado", apesar de já terem tido "bons momentos", como atestou a primeira parte "muito interessante" dos lusos face à Croácia (2-1), nos 16 avos de final.

"Portugal criou provavelmente mais ocasiões frente à Croácia do que nos outros três jogos juntos, logo foi muito mais agressivo ofensivamente. Os atletas também sabem que agora é a eliminar e não há muito tempo para corrigir erros. São muito inteligentes, perceberam quais eram os pontos a melhorar e estão mais do que alerta sobre a necessidade de se terem de apresentar ao melhor nível se quiserem passar a eliminatória", salientou.

O técnico descarta que a Espanha, recordista de títulos europeus (quatro), explore tanto as transições, momento no qual Portugal sentiu dificuldades nos embates com Colômbia (0-0), na terceira e última jornada do Grupo K, e Croácia, finalista derrotada em 2018 e terceira classificada em 1998 e 2022, com Diogo Costa a somar 11 defesas em 13 remates enquadrados.

"Quando um guarda-redes tem muito trabalho, significa que os adversários estão a criar oportunidades e isso não é bom. Agora, se a equipa pressionar bem alto e forte com os homens da frente, a bola já não chega com qualidade à sua área. Acho que é mais uma questão coletiva. Contra a Espanha, vai ser necessário defender em bloco baixo e não dar tanto espaço em alguns momentos. Para uma equipa funcionar defensivamente, são precisos 11 jogadores e não apenas uma linha defensiva", considerou.

Portugal esteve a perder diante da Croácia e completou a reviravolta em tempo de compensação pelo suplente Gonçalo Ramos, que foi orientado por Luís Castro nas camadas jovens do Benfica e anotou quatro dos seus 11 golos com a seleção em fases a eliminar de Mundiais, num total de 27 internacionalizações, mas só leva 35 minutos de utilização nesta fase final.

"Pode ser muito importante, mesmo até nesta partida, pela forma como a Espanha gosta de ter bola e pelas características dele a nível defensivo. Na seleção e no clube, respondeu com golos sempre que foi chamado. Acima de tudo, faz um trabalho relevante em todos os aspetos", analisou.

Luís Castro também coincidiu no Benfica com João Neves, que é titular do Paris Saint-Germain e uma das opções preferenciais do treinador espanhol Roberto Martínez no setor intermediário de Portugal, a par de Vitinha, seu companheiro de equipa no bicampeão europeu, e de Bruno Fernandes.

"Há que aproveitar este meio-campo, porque é um dos melhores, senão o melhor, a nível de seleções. É normal que essa gestão seja feita, mas não será pela parte física que Portugal não vai estar ao nível", admitiu, sobre as saídas em simultâneo de Vitinha e Bruno Fernandes no último jogo ao fim de pouco mais de uma hora, quando os balcânicos estavam em vantagem.

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