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O medo feito modelo: análise ao Uzbequistão, próximo adversário de Portugal

Análise de Rui Malheiro

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Shukurov no Uzbequistão-Colômbia, da 1.ª jornada
Shukurov no Uzbequistão-Colômbia, da 1.ª jornada • Foto: LUSA/EPA
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Nunca uma seleção da Ásia Central tinha pisado o palco de um Mundial. O Uzbequistão tornou-se na primeira nação duplamente sem litoral — rodeada apenas por países também sem mar — a alcançar uma fase final da grande competição internacional de seleções. É uma estreia absoluta, carregada do peso simbólico de quem abre uma porta que esteve cerrada um século, e fez-se pela via mais frugal que o futebol permite: a defender. Não foi a inspiração ofensiva que conduziu os uzbeques aos Estados Unidos e ao México. Foi a compactação, o bloco recuado, a recusa do risco. Na soma das duas rondas asiáticas que percorreu, perdeu um único jogo em dezasseis. Na terceira, fechou com 14 golos marcados e 7 sofridos, mas a produção foi de baixa voltagem — cinco dos seis triunfos escudaram-se na margem mínima, e o melhor marcador da ronda, Fayzullaev, assinou três. É o retrato numérico de uma seleção que se qualificou a controlar jogos fechados, não a avassalá-los. Há seleções que entram num Mundial a celebrar um estilo. O Uzbequistão entra a comemorar uma travessia, e a defendê-la como protegeram tudo o resto. É esse o conjunto que a Seleção Nacional vai encontrar em Houston. Um muro que se qualificou à espera de que ninguém o obrigasse a atacar.

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