Termina a conferência de imprensa.
Selecionador falou aos jornalistas a menos de 24 horas do duelo da 2.ª jornada do Grupo K
Termina a conferência de imprensa.
Tem hipótese de ver outras seleções? Pode pegar em coisas que alguma outra equipa faz?
"Um treinador que precisa de inspiração nesta altura já vai tarde... Temos uma equipa de analistas, de pessoas que preparam todos os passos. Temos um percurso e isso é muito claro. Tem de estar preparado muitos meses antes. O melhor aspeto é: como é que estão os jogadores? Essa é a melhor fonte de inspiração e informação. O que acontece nos treinos. E é bom que os jogadores aproveitem, que se sintam frescos. Olhar para os outros jogos? Não temos tempo. Se vir a imprensa portuguesa, percebe que estamos sempre na praia...".
Temos visto seleções mais pequenas a surpreenderem as equipas grandes. Isso reflete um crescimento futebolístico dessas?
"É uma boa reflexão. Hoje em dia já não há surpresas. Hoje preparamos um jogo com tecnologia que nos permite ter todas as informações. Todas as equipas preparam muito bem os jogos. A nível tático, técnico... O aproveitamento dos espaços, os momentos de finalização... Mas todas as equipas se abrem. Os jogos mudam, claro. Há aspetos em que as equipas estão menos preparadas. Quando as equipas conseguem manter o jogo com o plano que prepararam, tornam-se muito competitivas. Hoje toda a gente se prepara muito bem e todos os selecionadores trabalham muito bem".
Cristiano Ronaldo tem sido algo contestado. É, de facto, uma das figuras mais fortes?
"É obviamente um jogador muito experiente e isso ajuda. Um grande exemplo de como as pessoas se devem focar. A maneira como recupera, como se prepara... É um grande exemplo para nós. Vai para o sexto Mundial e ajuda-nos muito. Mas isso não nos tira toda a frustração que tivemos depois do jogo com a RD Congo. Mas talvez tenha sido o melhor ponto de partida para preparar o jogo seguinte. Acho que amanhã vamos ter uma equipa preparada desde início para podermos ter uma grande exibição".
Quem são os seis líderes do balneário de Portugal?
"Temos mais... Tem a ver com o que fazes todos os dias, com o comportamento. O nosso grupo de liderança tem seis jogadores, os seis que têm mais jogos pela Seleção. Cristiano Ronaldo, Bernardo Silva, Bruno Fernandes, Rúben Dias, Rúben Neves e João Cancelo".
Uma análise ao nível deste Grupo K...
"Podemos falar muito de aspetos técnicos e táticos de todas as equipas, mas há um ponto que está relacionado com o aspeto emocional de jogar um Mundial. E isso pode potenciar muito uma seleção no Mundial. É um dos melhores momentos na vida dos jogadores. E há equipas que, quando cá chegam, não conseguem dar o seu melhor por causa da pressão e da atenção. É muito difícil fazer previsões, mas a Colômbia é uma equipa espetacular, um treinador muito bom. O Uzbequistão é uma equipa que se sente muito bem com uma linha de cinco mas também consegue transições muito rápidas e que trabalha muito bem as bolas paradas. São todas equipas diferentes".
Sobre Cristiano Ronaldo. O que dá à equipa quando está entre os centrais e noutras alturas do jogo?
"Somos uma equipa que quer a bola e que quer rapidamente recuperá-la. E quando temos a bola, precisamos de muita personalidade, clareza de como chegar à área adversária. E é preciso um jogador que abra os espaços. E o Cristiano é o mais forte a fazer isso, os números dizem isso. É um ícone. Esses movimentos, o abrir o espaço... No fundo, é a última peça dentro da nossa estratégia".
O Uzbequistão está a estrear-se e Portugal é das equipas mais fortes. Cannavaro disse que mesmo as equipas mais fortes têm pontos fracos...
"A equipa perfeita não existe no futebol. Há equipas que querem ter bola, que querem jogar em posse, e outras que são muito bem organizadas e jogam melhor sem bola. Nós respeitamos muito o Uzbequistão e a experiência de Fabio Cannavaro. É sempre difícil jogarmos contra equipas assim, mas respeitamos imenso o adversário e temos de estar prontos para um jogo muito desafiante. Todas as equipas no mundo têm pontos fracos e pontos fortes...".
Se fizer mudanças amanhã, estará relacionado com o que não gostou no jogo com a RD Congo? Ou com as caraterísticas do Uzbequistão?
"Os primeiros 20 minutos foram muito bons. E depois, os outros 25', muito maus. Com os mesmos jogadores, adversário, estádio... Há aspetos que temos de ajustar, melhorar. Mas dentro do contexto de quem estava no campo. Gostei muito da atitude dos jogadores que entraram, mas acho que precisamos de preparar todos os jogos em relação ao adversário e ao momento dos jogadores. Precisamos de preparar jogo a jogo, mas não é a reação emotiva do primeiro jogo. É uma reação racional e que nos ajude a estar mais perto dos números e objetivos que procuramos".
Falou no sentimento de raiva dos jogadores. Há, no grupo, uma vontade de mostrar algo mais do que apenas ganhar?
"Já falei no que temos, no tesouro. Quem acompanha a Seleção sabe. Os nossos jogadores são incríveis. Não ao nível de talento, mas o compromisso que têm. Querer ganhar é o nosso objetivo, mas não pelo que aconteceu nos últimos dias. Pelo compromisso que os jogadores têm. Adoram vestir esta camisola. E por todo o trabalho feito nos últimos anos. São pontos diferentes. Chegámos ao Mundial com objetivos muito claros, temos os mesmos. Com clareza de que o processo era muito exigente, já por saber o que é o Mundial, as viagens, o fuso horários, mas também pelos adversários. Não há jogos fáceis, há sim jogos que se tornam fáceis. A equipa está focada, a trabalhar muito bem, e é isso que levo comigo. Crescemos muito nos últimos dias e isso é muito positivo".
O tal barulho que referiu incomoda? As críticas são injustas?
"Há barulho sempre. Há bom barulho, boas críticas... Quando não atinges o resultado é normal ter críticas. Não espero receber rosas depois de empatar o primeiro jogo. Mas há muito barulho que não é justo, que não é certo, e muitos aspetos que não fazem sentido. Mas isso não faz parte do nosso trabalho. É importante saber quem está com a Seleção e quem não está. É muito fácil ganhar quando a equipa ganha a Liga das Nações, ser muito da Seleção... O importante é estarmos juntos. O barulho faz parte e vejo isso com naturalidade".
A Seleção já fez exibições muito boas consigo, mas também já fez jogos maus. Como vê esta diferença, tendo em conta que são praticamente os mesmos jogadores? Os últimos jogos de preparação foram contra a Nigéria e com o Chile, como é que a equipa estará pronta para o Uzbequistão?
"O importante é ser consistente. Estamos a falar de uma equipa que nos últimos 40 jogos tem a maior percentagem de pontos e golos da história da Seleção. Os jogadores merecem respeito. Mas o futebol é assim, é impossível jogar sempre bem. Há momentos em que, quando o desempenho não é bom, é importante não perder e continuar com competitividade, responsabilidade. Amanhã é um novo jogo. Os jogadores prepararam-no muito bem e é aqui que podemos crescer muito. Faz parte do futebol, não há equipas que conseguem ganhar [sempre]. A ideia errada do campeão... O campeão não ganha 3-0 em todos os jogos. O campeão do último Mundial perde o primeiro jogo e ganha, em 2010 a Espanha perde com a Suíça, há momentos em que vai a penáltis... O futebol são detalhes e pormenores. É importante que a equipa trabalhe muito para poder ganhar nesses pormenores. E depois da experiência do primeiro jogo, a equipa está mais preparada agora para poder fazer isso. O Uzbequistão é uma equipa que conhecemos bem. Durante o apuramento, fizemos jogos contra equipas semelhantes. Respeitamos muito o adversário, mas amanhã é ver como podemos ter o desempenho dos primeiros 20 minutos frente à RD Congo durante 90".
Quando há uma crítica, todas as setas são apontadas a Cristiano Ronaldo. Como é que vê o capitão neste momento?
"É um exemplo, é um capitão. Reage como capitão. Com muita experiência. Podemos utilizar todos isso. Estamos a falar de alguém que está a defender e representar a Seleção há 21 épocas. Tem uma fome incrível de continuar a melhorar e de ajudar o grupo. É um exemplo no balneário".
Sente que o ambiente está mais tenso do que gostaria entre jogadores, jornalistas e adeptos? A conferência do Rúben Dias serviu como gatilho? De que forma isso pode afetar a Seleção?
"Não tive um jogo sem barulho desde o meu primeiro dia em Portugal. Já mostrámos que a equipa é experiente, focada e responsável e chegámos a um bom nível. Estamos num Mundial. Aqui há muito barulho e faz parte. Para nós, o aspeto do ser humano é muito importante. É perceber quem está e quem não está com a Seleção. Mas o importante no balneário é mostrar atitude, ter autocrítica para melhorar e estarmos prontos. E estamos focados, muito fortes e, agora, o grupo está mais unido do que antes de chegar. São já 22 dias de trabalho e o barulho não entra no balneário".
Sendo o Rúben Dias um jogador tão experiente, que impacto pode ter caso jogue? Mesmo que não tenha muito trabalho...
"Não esperamos isso, esperamos que seja um jogo difícil e competitivo. Respeitamos muito o adversário. Mas estamos num torneio. Isto não é um estágio. Temos 27 jogadores e estamos todos focados em melhorar no dia-a-dia. Vi uma atitude incrível nos últimos quatro dias. E todos são importantes. O Rúben, sem estar em campo no primeiro jogo, também foi muito importante no processo. Temos seis capitães muito experientes. Foi difícil, o grupo sentiu raiva, mas todos os jogadores mostraram responsabilidade, ajudaram muito e focaram-se no que precisamos de fazer: chegar ao melhor nível o mais rápido possível. Depois da fase de grupos é o momento de olhar para esses três jogos e ver onde estamos. Mas se esperamos entrar em campo e ganhar logo o jogo amanhã, acho que estamos no torneio errado".
Raramente vemos dois extremos mais interiores, como João Félix, Bernardo Silva e Trincão. Que desvantagem vê nesse modelo?
"Já tivemos muitos perfis. Percebo a pergunta, mas já jogámos com alas de pé trocado, podemos utilizar Nuno Mendes e Bruno Fernandes entrelinhas, Bernardo Silva, Félix, Trincão... Não é uma questão. O ponto forte é a nossa riqueza, temos muitas opções. Mas temos de escolher o momento do jogo, dos jogadores, as ligações, o trabalho que fazemos e, claro, o adversário. Mas posso dizer que temos todos os jogadores aptos menos o Tomás Araújo, que esteve condicionado a treinar individualmente e ainda não está apto. Mas depois deste jogo, penso que já poderá voltar. Temos 22 jogadores de campo, o Rúben Dias já voltou, e todos os guarda-redes estão preparados para ajudar. E isso é o que a Seleção faz muito bem: procurar duplas diferentes, ideias táticas diferentes e uma flexibilidade que permite utilizar perfis diferentes".
Uzbequistão aparece muitas vezes com cinco defesas e quatro médios... Isso vai obrigar a que Portugal ataque com mais gente?
"Os primeiros 20 minutos do primeiro jogo [com a RD Congo] foram muito bons. Depois, até ao intervalo, foram minutos muito maus. Precisamos de uma estrutura e disciplina. Melhorámos ao intervalo, mas o adversário ganhou muita vida. Estreia no Mundial, foi emotivo. O Uzbequistão tem uma estrutura muito boa, clareza, o treinador é muito experiente em Mundiais... É importante perceber o que podemos fazer com bola, como podemos criar vantagens táticas para encontrar os espaços certos. Esse não é um ponto fraco da nossa Seleção, pelo contrário. Mas no primeiro jogo houve muitos aspetos emotivos que fazem parte e não foi aquilo que queríamos".
Como é que lidou com um balneário que foi muito criticado esta semana? Ronaldo vai ser titular?
"Primeiro, dizer que já faz parte do nosso processo. Chegar ao Mundial são três jogos. Para nós nada muda. É treinar bem, preparar os jogos, avaliar e analisar. Ser muito autocríticos. E foi o que fizemos. Vimos o que fizemos bem, o que não conseguimos executar, o porquê de não termos chegado ao último terço... E limpar o sentimento de raiva e tristeza, porque não atingimos o resultado que queríamos. O foco no balneário é total, o trabalho foi muito bom, e agora precisamos de melhorar tudo o que não conseguimos fazer no primeiro jogo. E a história no Mundial é essa. Portugal não é uma equipa que chega preparada para atingir objetivos, é uma equipa que precisa de autocrítica e crescer em momentos difíceis. A reação deu mais força ao grupo, fez com que esteja ainda mais unido, e o trabalho a atitude foram muitos bons, exemplares. Ainda não revelei o onze inicial, não gosto de falar publicamente de coisas que não falo com os jogadores".
Roberto Martínez já está na sala de conferência de imprensa.
Roberto Martínez à Sport TV
Semana difícil. Enquanto treinador, qual foi mensagem?
"Importante é sempre perceber o porquê. Por não termos ganho. O barulho, durante o meu período já tive muito barulho. A equipa é muito responsável. Foi um desempenho que precisamos de avaliar, analisar, crescer muito. Perceber porque aconteceu. Faz parte de estar no Mundial. A expetativa não fazem parte do caminho. O caminho é estar no campo, avaliar, crescer, ter autocrítica. Foi isso que encontrei no balneário. Um grupo com raiva. Não faltou esforço e atitude. Temos tudo para ter um bom desempenho amanhã"
O que mais preocupa para este jogo?
"Não me preocupa. O que temos... Temos muita qualidade, atitude, responsabilidade no balneário. Começámos muito bem, mas depois foram minutos muito maus. Provavelmente os piores 25 minutos dos últimos 40 jogos. Faz parte da estreia do Mundial, aspeto emotivo de um torneio assim. Depois do intervalo melhorámos, mas demos vida ao adversário. Foi um empate em que podemos crescer muito. Temos de fazer isso."
Mais oportunidades...
"Somos uma equipa que precisa da bola, mas também chegar ao último terço. Temos jogadores com capacidade no um para um. Tudo o que fizemos nos últimos 40 jogos... Por isso estes jogadores têm provavelmente maior número de pontos e golos na Seleção. Isso faz parte do talento e da execução tática deles. O importante é estar preparados para amanhã. O Tomás não está preparado, mas os outros estão"
Quem joga?
"Vamos ver amanhã. Já conhecem a minha forma de trabalhar. Tivemos bons dias de trabalho e amanhã o onze inicial aparece. É continuamente melhorar, relembrar conceitos e todos preparados. Os jogadores que podem saltar do banco podem fazer a diferença"
CR7 e João Félix podem jogar juntos...
"Todos os que estão têm talento individual e podem ajudar a Seleção. Para ganhar não é volta de um jogador, é à volta de todos. A reação no treino foi de mostrar que todos estão prontos. É continuar o trabalho que fizemos nos últimos três anos e meio"
A menos de 24 horas do jogo com o Uzbequistão, Roberto Martínez fala aos jornalistas em conferência de imprensa às 0:45 de Lisboa.