Seleção Nacional deu a volta e avança para os 'oitavos'
"É difícil explicar aqueles momentos. Queríamos evitar o prolongamento e acabámos por jogar uma parte... os 17 minutos de descontos são injustificáveis", afirmou o médio, à Sport TV, onde destacou a capacidade de sofrimento da equipa: "A equipa bateu-se muito bem e defendemos como tínhamos de defender. No final ainda houve aquele golo que, felizmente, foi anulado".
O jogador, de 29 anos, ainda revelou o que lhe foi pedido pelo selecionador. "Eles estavam a chegar com frequência à nossa área e entrei para equilibrar defensivamente a equipa de forma a ficarmos mas tempo com a bola. Conseguimos vencer e agora é descansar para preparar a próxima fase", acrescentou o camisola 21 que terminou com uma mensagem de esperança: "Vai dar Portugal".
"Estava sentado ao lado dele no banco, e o Gonçalo tem sempre uma fé muito grande no que pode fazer se entrar. Disse-me para não me preocupar, porque, se entrasse, ia fazer golo. E fez.
Começámos bastante bem o jogo. Tivemos algumas ocasiões em que deveríamos ter marcado. Depois, acabámos os últimos cinco a 10 minutos da primeira parte não tão bem e começámos a segunda parte bastante mal. Quando sofremos o golo, tentámos ir à procura do jogo outra vez. Tentámos pressionar mais. Havia um descontrolo emocional que não pode acontecer, mas fomos felizes. Conseguimos dar a volta. Estamos mais contentes, ainda que haja coisas a corrigir.
Quando se joga da forma que jogamos, o principal ponto [a defender] é parar as transições. Quando conseguimos 'estancar' esse momento em que perdemos a bola, temos a oportunidade para voltar a atacar. Isso cansa muito um adversário. Quando não estancamos esse momento, passamos a ter um jogo de transição. Isso nunca é favorável, porque queremos controlar o jogo. O jogo esteve para os dois lados nos primeiros 20 minutos da segunda parte.
É um dos jogos mais difíceis que se podem jogar [frente à Espanha]. Estamos com muita fé, com muita vontade, mas sabemos que temos uma missão difícil pela frente".
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"A mensagem era de que estávamos todos prontos, que o Mundial começava hoje. Era importante jogar com intensidade, com orgulho e fizemos isso. É uma equipa muito especial e hoje era muito especial pelo pai do Ricardo Carvalho e pelo Diogo Jota e todos os portugueses. Satisfação, orgulho e agora é começar a recuperar porque o próximo jogo é já muito cedo."
Análise
"Os Mundiais têm isto. Já não são jogos de fase de grupos. Quando jogas bem precisas de marcar. A primeira parte foi fantástica a todos os níveis, capacidade de ler o jogo, chegada ao último terço. Há sempre o perigo contra equipas como a Croácia e aí precisas de valores de equipa. Sofrer um golo e continuar, acreditar, utilizar jogadores no banco porque estão preparados. Essa mentalidade ajuda a ganhar os jogos. O jogo perfeito em Mundiais não existe. É capacidade de ter talento, disciplina, jogar com o coração. Os jogadores desfrutaram por Portugal, pelo pai do Ricardo Carvalho e pelos nossos Diogo Jota e André"
O que o Diogo pensará de um jogo destes?
"Era o jogo típico do Diogo. 2-1 que é número 21 contra a Croácia, a última equipa a quem o Diogo marcou, no Jamor, à 7 da tarde aqui, que é 3 de julho em Portugal. O Diogo mandou muita força e energia, agora estará muito contente e orgulhoso à espera que continuemos com os mesmos níveis."
O Roberto dotou a equipa de ferramentas para empatar e depois teve que fazer o mesmo para controlar...
"É isso que temos. Temos perfis diferentes, jogadores experientes. Não há outro jogador no Mundial que possa bater o penálti como o Cristiano fez hoje e não há outro ponta de lança com a força e capacidade de entrar na área como o Ramos. Depois utilizar a experiência do Bernardo, do Rúben, a capacidade do Semedo, do Chico. Temos mais jogadores que podem ajudar. Uma equipa que está comprometida"
O Gonçalo está a meter-se no onze?
"É isso que queremos. O João Félix também está a fazer um Mundial muito bom. Temos jogadores que precisam de estar prontos e a força de Portugal é essa"
Os minutos finais do Portugal-Croácia ficaram marcados por um golo anulado aos croatas já para lá dos 10 minutos de tempo extra dado pela equipa de arbitragem. Através de uma tecnologia introduzida nesta edição do Campeonato do Mundo, o VAR do encontro chamou o árbitro norueguês Espen Eskas para alertá-lo para um possível fora de jogo de Pasalic, que tem participação na jogada que termina com a bola no fundo das redes da baliza de Diogo Costa.
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Aguenta coração! Foi este o sentimento partilhado por milhões de portugueses durante o período de descontos da 2.ª parte no Portugal-Croácia. O árbitro norueguês Espen Eskas deu 10 minutos de compensação, mas quis o destino que esse tempo fosse quase dobrado.
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Luís Montenegro, primeiro-ministro português, esteve em Toronto a apoiar a seleção e considerou o jogo frente à Croácia "talvez tenha sido o melhor do Mundial".
"Entrámos muito melhor e tivemos várias oportunidades de golo, mas depois a Croácia fez também um grande jogo. Não tenho visto os outros jogos todos, mas este talvez tenha sido o melhor do Mundial. Com emoção, qualidade e entrega de parte a parte e com um coração gigante da nossa equipa. Ainda para mais num dia em que estávamos efetivamente a jogar com mais um, o Diogo Jota que nos deixou há um ano e que faz parte deste grupo e deste percurso. Agora, é continuar a acreditar e a ultrapassar os obstáculos um a um. Esta capacidade de sofrimento, entreajuda e espírito de equipa são componentes para ter sucesso. Os adversários também são muito bons e isso ficou demonstrado aqui hoje", começou por dizer.
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Eleito como o melhor em campo, Cristiano Ronaldo assumiu a dificuldade sentida por Portugal frente à Croácia, mas enalteceu a crença que acabou por levar ao triunfo. Isto sem esquecer Diogo Jota...
Como se gere tanta ansiedade e nervosismo? Esperava que fosse assim?
"Esperava. Como capitão já passei por estes momentos. Eu disse que tínhamos que saber sofrer. Para ganhar uma competição desta magnitude temos que saber sofrer. Tocou hoje. Acho que foi um jogo bastante interessante para os espectadores. Controlámos bastante a primeira parte. Na segunda o jogo foi um bocadinho caótico, mas é normal. O futebol é isto. Eles marcaram e nós entrámos um bocadinho em stress, em pânico. Mas depois houve o desbloqueio emocional quando marcámos o penálti. A partir daí o jogo foi mais fácil. Depois tivemos mais um pouquinho de dificuldade, mas a competição é isto. Temos que estar preparados. E continuar"
Golo e camisola de Diogo Jota...
"É um dia especial por aquilo que vocês sabem, do nosso Jota que está lá em cima a iluminar-nos. É um momento especial. Todos nós sentíamos que ele está presente connosco e só fazia sentido hoje ganhar para homenageá-lo da melhor maneira"
Despediu-se de Luka Modric?
"Sim, despedi-me. É uma lenda do futebol, continua a ser. Somos quase da mesma idade, tenho mais um ano do que ele. É uma lenda. Respeito muito o Modric por aquilo que ele fez no futebol e continua a fazer"
"É especial, é uma competição especial, mas a verdade é que quem me conhece já sabe que nos últimos minutos, quando é preciso um golo, eu estou lá. Já não é a primeira, a segunda, nem a terceira vez. E sempre que precisarem de um golo nos últimos minutos podem chamar o Gonçalo Ramos."
"É muito importante. É sinal de que a equipa está a crescer dentro da competição e isso é importante. É uma competição curta, mas para nós não é. É muito tempo de trabalho, muitas horas de treino, muito tempo juntos. Parece que já estamos aqui há imenso tempo e isso também pesa. Acho que a mensagem que passámos hoje foi a força do nosso grupo e a partir de agora é mata ou morre e nós mostrámos a nossa força."
"Portugal sempre. A nossa identidade. Vamos atrás da vitória e é acreditar até ao fim porque nós nunca estamos mortos."
"Difícil, um jogo difícil, um jogo em que perdemos o controlo emocional quando não o devíamos ter feito. Entrámos bem, tivemos uns primeiros 15 minutos bons e depois entrámos no jogo que eles queriam. Perdemos um pouco o equilíbrio. Depois, quando precisámos de ir para cima deles conseguimos e tivemos uma boa reação, mas depois voltámos a baixar. Foi um jogo muito emocional."
"É uma competição muito difícil de se jogar, estamos a representar toda uma nação, todos os nossos amigos. Aconteceu-nos no jogo contra a Colômbia e hoje também podia ter acontecido e corrido mal. Não respeitámos as nossas posições. Felizmente conseguimos a qualificação."
"Espanha? Vai ser igualmente difícil. É uma das favoritas. Têm os conceitos muito bem trabalhados. Têm essa posse de bola e será difícil tirar-lhes esse controlo."
"A mensagem era de que estávamos todos prontos, que o Mundial começava hoje. Era importante jogar com intensidade, com orgulho e fizemos isso. É uma equipa muito especial e hoje era muito especial pelo pai do Ricardo Carvalho e pelo Diogo Jota e todos os portugueses. Satisfação, orgulho e agora é começar a recuperar porque o próximo jogo é já muito cedo."
Com uma reviravolta incrível, Portugal bateu a Croácia por 2-1 e avança para os oitavos-de-final do Mundial'2026. Acompanhe todas as reações aqui.