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Grimaldo rendido a Xabi Alonso: «Tem a capacidade de manter o balneário unido... ninguém fica chateado»

• Foto: Action Images

A cumprir a primeira temporada desde a saída a custo zero do Benfica, Alejandro Grimaldo é atualmente um dos laterais-esquerdos em melhor momento de forma na presente época. O internacional espanhol, de 28 anos, é nesta altura o segundo melhor marcador do Bayer Leverkusen, com 11 golos, números apenas superados pelo ponta-de-lança Victor Boniface (16), e também o segundo jogador com mais assistências do plantel, com 11 passes para golo, um parâmetro em que também é apenas superado por um único companheiro de equipa, Florian Wirtz, com 17.

Em entrevista ao jornalista Fabrizio Romano, o antigo jogador do Benfica falou sobre a importância que Xabi Alonso teve na altura em que decidiu qual seria o próximo passo a dar na sua carreira e, depois de já trabalhar há alguns meses com o treinador, não deixou de fazer muitos elogios à sua postura, dentro e fora do balneário. "Para mim, Xabi é um treinador muito especial. Está muito claro que eu vim para o Bayer Leverkusen por ele. Trata-me muito bem e tem-me ajudado na adaptação. É um treinador muito especial porque sabe explicar cada conceito, sabe como tratar os jogadores, sabe como exigir-lhes, mas ao mesmo tempo dando-lhes confiança, sem tirá-la em algum momento. Recordo-me que a equipa esteve muito mal na primeira parte da partida contra o Estugarda. Lembro-me que ao intervalo ele disse algo do género: 'A mim, tanto me faz se perdemos ou ganhamos, mas vamos jogar como nós sabemos jogar'. Exigiu de nós algumas coisas, umas mudanças, mas deixou bem claro que o resultado não importava para nada, só queria que jogássemos como sabíamos. Fomos para o campo e jogo correu de forma totalmente diferente. O que te quero dizer com isto é que ele sabe tratar os jogadores. Ainda há pouco tempo era jogador, e foi um jogador incrível, e também teve grandes treinadores durante a sua carreira. Creio que tudo isso é determinante para que seja o treinador que hoje é. Está muito claro para mim que vai marcar uma era", começou por dizer o defesa esquerdo.

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Grimaldo conta que o facto de existir muita qualidade no plantel, com "15 ou 16 jogadores que podiam ser facilmente titulares", poderia levantar problemas no balneário, mas a gestão de Xabi Alonso faz com que todos estejam "na mesma página" em busca dos objetivos coletivos. "Tem capacidade para manter o balneário unido. Como já devem ter visto, esta temporada temos 15 ou 16 jogadores que podiam ser facilmente titulares esta época e com isso já rodámos em muitos jogos. Isso faz com que a equipa esteja muito unida, ninguém fica chateado, não existem problemas porque estamos todos na mesma página. Fora de campo ele comunica muito connosco, não fala como um treinador, mas sim como se fosse um de nós. Podes falar com ele a qualquer momento. Mas dentro de campo é diferente, é mais exigente, mas creio que o mais importante é o facto de conseguir dar confiança aos jogadores. Nem todos os treinadores conseguem-no, mas ele consegue", sublinhou.

O momento em que se apercebeu que estava preparado para dar o salto para outra Liga

"Sabia que estava preparado para ir para outra Liga mais forte, qualquer uma das cinco principais Ligas. Sabia que no início podia custar um pouco a minha adaptação, mas em termos de futebol estava bastante bem preparado. Creio que também a ajuda do Xabi, do staff e grupo que criámos também me ajudou a fazer uma adaptação mais rápida. Senti-me muito confortável desde o primeiro mês, e tudo acabou por fluir naturalmente."

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O que tem sido determinante para ter estes números?

"Não sei se é o sistema [tático], claro que tenho um pouco mais de liberdade, mas joguei durante toda a minha carreira com uma linha de quatro [atrás] e tinha números bastante parecidos, com muitas assistências e golos também. Creio que depende tudo um pouco da capacidade de decidir no último terço porque hoje em dia, quer jogues com quatro ou com cinco, os laterais atacam e todas as equipas precisam de um lateral que contribua ofensivamente. Então procurei trabalhar muito esse aspeto, o da decisão no último terço, e está claro que a ajuda da equipa e a liberdade que Xabi me dá na hora de entender um pouco os espaços, que me dá a oportunidade de chegar ao último terço, onde realmente tens de decidir. Até agora estou a fazer tudo bem e tenho de continuar assim. Há que continuar a melhorar, mas sim, creio que o meu ponto forte é saber decidir no último terço."

O projeto do Bayer Leverkusen e a importância que Xabi teve na decisão

"Antes de assinar tinham-me dito que estavam a construir um bom projeto. Quando cheguei [ao clube] na pré-temporada, vi uma equipa que era melhor do que eu estava à espera, para ser sincero, tanto os jogadores como o treinador. Senti desde logo que estava ali uma grande equipa. Faziam-me perguntas ainda na pré-temporada [sobre o Bayer Leverkusen] e eu dizia que íamos dar que falar porque já o sentia. Creio que o clube contratou jogadores importantes e com experiência e depois também existem jogadores jovens com muito talento. Estava ainda a meio de uma temporada, era uma situação um pouco complicada. Nessa altura eu ainda não estava a negociar com o Leverkusen, mas já tinham demonstrado interesse em mim. Quando o meu agente me disse que o Xabi queria falar comigo, que ele insistia muito, tive algumas chamadas com ele durante alguns meses e foi a partir daí que começámos a negociar mais seriamente com o Leverkusen porque víamos que era algo bom para mim."

Os outros interessados

"Houve contactos com várias equipas, com equipas da Liga espanhola, da Premier League, inclusive da Liga francesa. Mas no final de contas, creio que o que era mais importante para mim neste passo da minha carreira era ir para uma equipa em que o treinador apostasse em mim e que demonstrasse que tinha um projeto ambicioso. Tenho 28 anos mas ainda sou muito jovem. Encontro-me no melhor momento da minha carreira e quero ganhar títulos, então creio que este foi o passo certo. Estou feliz por estar tudo a sair bem, mas não era uma decisão fácil."

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Messi como "ídolo de infância" e Marcelo como referência na posição

"O meu ídolo de infância é o Messi. Para mim, é o melhor jogador de todos os tempos. Ainda para mais cresci a jogar na La Masia. Como lateral, sempre olhei muito para o Marcelo. Assistia aos jogos dele no Real Madrid e para mim foi o melhor lateral esquerdo do mundo dos últimos anos. É um lateral com quem me identifico muito", terminou.

Por Record
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