O mágico sublime da década de ouro

O mágico sublime da década de ouro
• Foto: PAULO CALADO

Sempre foi um intermediário perfeito entre o jogo e o golo, a equipa e os avançados, a criação e a finalização; nos seus tempos áureos poucos no futebol adivinhavam, concebiam, inventavam e executavam com tamanha perfeição.

Deco foi um espécime raro no futebol mundial, porque canalizava as armas de ilusionista sumptuoso não para recolher os aplausos mas para melhorar a produção coletiva. O seu futebol expressa as qualidades de um talento solidário, uma estrela que ilumina o relvado com a arte de solista genial e aglutina vontades mesmo quando a rotina da fábrica parece condenada à escassez de ideias e inspiração. É um notável administrador de ritmo e um fabuloso criador de estilo, que utiliza a imaginação para pôr os outros a correr e jogar ao compasso das suas intenções.

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Deco foi o mágico sublime de uma década de ouro do futebol português, mais precisamente a primeira do novo século; um jogador capaz de cumprir o senso comum e de assombrar com decisões magistrais em territórios hostis, onde os espaços diminuem e a agressividade aumenta. A capacidade para multiplicar o valor individual das equipas que representa, dando-lhe valor coletivo superior à soma das parcelas, fez dele um jogador especial. Há cada vez menos futebolistas cujo talento serve para melhorar o dos outros.

FC Porto

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Chegou ao Benfica vindo do Corinthians Alagoano mas a águia cedeu-o ao Alverca. No momento de decidirem se exerciam o direito de opção, os encarnados deixaram- no sair para o Salgueiros. Sempre se disse que era apenas uma etapa de passagem para o FC Porto. Foi mesmo. Sob o comando de Fernando Santos, Deco foi campeão logo na primeira época (iniciada em Vidal Pinheiro) e explodiu como estrela universal principalmente quando se cruzou com José Mourinho, entre 2002 e 2004.

Barcelona 

Como campeão europeu mereceu o interesse de várias potências internacionais. Preferiu o Barcelona, envolvendo-se num negócio que levou Ricardo Quaresma para o Dragão. Em Camp Nou fez duas épocas de sonho e venceu a Liga dos Campeões, ao lado de Ronaldinho, Eto’o, Xavi, Iniesta e restante armada catalã. No Mundial de clubes de 2006, perdido para o Internacional de Porto Alegre, ganharia a Bola de Ouro para melhor jogador da competição. No final de 2008 seria dispensado pelo Barça. Foi então para o Chelsea, onde daria seguimento ao sucesso que marcou os primeiros anos do século.

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Seleção

A par do êxito nos clubes, Deco iniciou a 29 de março de 2003 a carreira na Seleção Nacional. Não foi pacífica a integração numa equipa ainda recheada de elementos da Geração de Ouro, mas o seu talento futebolístico acabou por falar mais alto. Até 2010 esteve presente e foi grande figura por Portugal em todas as competições internacionais, tendo chegado ao fim da linha no Mundial da África do Sul, assumindo publicamente conflito com o então selecionador Carlos Queiroz.

Regressou então a casa, para envergar a camisola do Fluminense, clube no qual foi campeão brasileiro em 2010 e 2012. Vítima de muitas lesões, entrou na veterania com presença menos assídua mas com qualidade acima da média. Sempre. Até anunciar esta segunda-feira o final da carreira.

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