Diego Simeone: o "jogador valente" que não deixava os colegas tirar sestas

• Foto: Reuters

Diego Simeone orienta o Atlético Madrid desde 2011 e revolucionou os clube com a paixão, entrega, mentalidade e rigor tático que é capaz de transmitir aos atletas. Logo na primeira época conduziu os colchoneros à conquista da Liga Europa - proeza que seria repetida em 2017/2018 - e em termos europeus  esteve em duas finais da Champions, mas em ambas caiu aos pés do rival Real Madrid. A nível interno, os colchoneros passaram a ombrear com os merengues e com o Barcelona e a conquista da La Liga em 2013/2014 foi talvez o expoente máximo desse crescimento. 

Muitos antigos companheiros de Simeone em Espanha (primeiro no Sevilha e depois no Atlético Madrid) garantem que esta sua obsessão por futebol já era bem visível nos tempos de jogador, num trabalho do jornal 'Marca' que recolheu vários testemunhos de antigos colegas de El Cholo.

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"Simeone gostava de sofrer, era muito exigente e tinha uma personalidade muito forte. A sua obsessão pelo futebol era enorme e às vezes nem me deixava dormir a sesta, porque falava muito e despertava-me. Até ao almoço ou ao jantar falava sobre a forma como o adversário ia jogar", revela o antigo defesa espanhol Toni Muñoz, habitual colega de quarto de Simeone nos estágios do Atlético, que destaca ainda as qualidades táticas do argentino. "Era muito forte taticamente e em todas as épocas marcava alguns golos. Rematava muito bem e aparecia nas zonas de finalização, porque era capaz de ler muito bem as jogadas", conta.

Abel Resino, antigo guarda-redes que partilhou balneário com Simeone na sua primeira época (1994/95) nos colchoneros, lembra a "mente vencedora" de El Cholo e a sua "maneira de competir, a luta, a perseverança e coragem". "Jogadores com este caráter destacam-se sempre numa equipa e ele não passava despercebido", aponta Abel Resino.

Antes de chegar a Madrid, Simeone esteve duas épocas em Sevilha e já aí evidenciava um "caráter" fora do normal, de acordo com Manolo Jiménez, que foi seu colega no Sánchez Pizjuán. "Tinha um temperamento puro. Ficava chateado quando falhava, era ambicioso e exigia sempre mais. Ganhou o respeito de todos porque falhava e voltava a tentar. Era um jogador valente", justifica.

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De jogador a treinador: funções diferentes mas o mesmo perfil

"Há jogadores que têm um estilo quando jogam e depois mudam quando passam a ser treinadores. Mas Simeone manteve essa linha e com o seu caráter especial não estranhava que acabasse como treinador", explica Abel Resino, a propósito do perfil que o argentino sempre apresentou. 

José Miguel Prieto, que jogou com Simeone em Sevilha, compara o trajeto de El Cholo ao de Luis Aragonés, já que ambos demoraram pouco  tornarem-se treinadores após pendurarem as chuteiras. "Com a compreensão do jogo que evidenciava via-se nele um treinador em formato pequeno. Demosntrou sempre uma entrega total pelo futebol e uma grande capacidade para ser treinador", justifica Prieto. 

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Por André Antunes Pereira
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