Paco Jémez, treinador do Rayo Vallecano, defendeu, em entrevista ao 'Estudio Estadio', programa da TVE, que os jogadores necessitarão de fazer uma espécie de pré-época antes de regressar à compatição.
"As pessoas acham que vivemos todos numa mansão com um jardim de 100 metros quadrados. Se tu entrares na minha casa, eu tenho de sair. Não há sítio para treinar e esta é a situação de muitos jogadores. Esta paragem é pior do que o verão, porque eles não podem correr na rua, passear, jogar ténis...", começou por explicar o técnico da equipa de Madrid, que compete na 2.ª divisão espanhola.
"Vamos precisar no mínimo de três semanas de treino em grupo antes de competir. Se querem que isto seja solteiros contra casados, começamos a jogar já e ao intervalo está tudo a vomitar... Há que ter em conta que vamos jogar a cada 72 horas, em julho e em agosto, com calor. Não é questão de querer mais ou menos tempo, é apenas o tempo necessário para que as coisas corram bem", acrescentou.
Paco considera que o futuro é incerto, pois "todos estamos a percorrer um caminho que nunca foi percorrido". "Queremos acabar as competições com segurança e não de qualquer maneira", frisou, fazendo votos para que "não seja necessário cancelar a temporada".
O técnico explicou que para avançar é preciso muito cuidado. "Vamos ver se dentro de duas ou três semanas a situação está controlada. Mas se acontecer alguma coisa durante o processo, que fazemos? Olhamos para o lado e seguimos em frente? Mandamos o infetado para casa. Mas, e se os outros também apanharam o vírus?"
Paco falou também sobre os testes. "Há que perceber que muita gente morreu sem ter acesso a um teste. Morreu! E agora, aos jogadores, vamos fazer testes a cada dois ou três dias? Se houver testes para todos, avancemos. Mas como não é o caso, eles devem ser guardados para quem mais precisa."
A finalizar, abordou o facto de muitos clubes estarem a recorrer ao lay-off. "Legalmente estão no seu direito, mas moralmente não. Uma equipa que tem um lucro de 19 milhões de euros e que este ano vendeu jogadores por 21 milhões tem que ter tomates para assegurar o salário dos seus trabalhadores."