Numa conferência de imprensa bombástica, Florentino Pérez convocou eleições para a presidência do Real Madrid, provavelmente já sabendo que será pouco provável ter concorrência nesse sufrágio. Não por falta de quem tenha vontade para fazê-lo, mas antes porque os estatutos eleitorais do Real Madrid dificultam (e muito) a vida de quem tenciona seguir por essa via.
Segundo a 'Marca', há 7 requisitos para uma candidatura ser aprovada, sendo quase todos eles minimamente possíveis para a maior parte dos potenciais candidatos. O problema é o sétimo... "O candidato deve apresentar um pré-aval bancário de uma entidade registada no Banco de Espanha que cubra, no mínimo, 15% do orçamento geral de despesas do clube. Esse pré-aval passaria automaticamente a aval definitivo se a candidatura for eleita. Além disso, o aval deve ser concedido em função do património pessoal dos candidatos e ser garantido exclusivamente por esse património."
O que isto significa na prática? Considerando que o orçamento do clube para 2025/26 rondou os 1,2 mil milhões de euros, um potencial candidato teria de garantir um pré-aval bancário de 187,2 milhões de euros.
Um valor que, cruzando dados da 'Forbes' e do 'El Mundo', somente cerca de 400 pessoas têm no país vizinho. E se tiverem esse dinheiro, depois terão de filtrar nos outros aspetos, nomeadamente ser sócio há 20 anos ou, por outro lado, ser espanhol - algo que afasta desde logo a possível de milionários de outras paragens de assumirem o clube madrileno.