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Uma das figuras mais importantes da história recente do Real Madrid, Iker Casillas está a viver, aos 33 anos, um dos piores momentos da carreira. O capitão dos merengues voltou a estar muito mal na derrota do campeão europeu e do Mundo por 4-3 diante do Schalke 04 e está a ser o principal foco da crítica, tanto dos adeptos, como da imprensa.
"Ronaldo evitou a catástrofe mas não a bronca", "Casillas marcado" e "Noite de susto em Madrid" são algumas das manchetes que se podem ler na imprensa internacional, que deixam claro que a má imagem deixada pelos blancos no Bernabéu começou na baliza e só teve como exceção o capitão da seleção nacional.
Já esta quarta-feira, as reações à má noite de Casillas não se fizeram esperar. Gary Lineker, por exemplo, diz que o espanhol "é uma sombra do guarda-redes que já foi" e Roy Keane foi ainda mais longe, ao afirmar que "foi Casillas que enfiou os três primeiros golos. Se uma equipa aspira a conquistar os grandes troféus precisa de um guarda-redes de exceção - e, certamente, de um guarda-redes em forma".
Após o encontro, em declarações aos jornalistas, o próprio guardião admitiu que as coisas não estão a correr nada bem aos merengues: "É verdade que batemos no fundo com estrondo, mas o positivo é que vamos estar no sorteio dos "quartos" e esquecer estes dez dias, que foram dramáticos".
Deixou de ser indiscutível com Mourinho
Titular da baliza do Real Madrid desde os tempos de "teenager", Iker Casillas foi sempre indiscutível da baliza dos merengues durante 13 temporadas consecutivas, em todas as competições. Já este mês, o espanhol isolou-se como o segundo jogador com mais encontros disputados na história do clube, com 713 jogos, e está agora a 28 de igualar Raúl González, recordista, com 741.
Os dias de maior tranquilidade de Casillas terminaram em 2013, sob a égide de José Mourinho. Depois de ter sido titular nas duas primeiras temporadas do técnico português em Madrid, Casillas lesionou-se com gravidade a falhou três meses importantes da temporada merengue. Mourinho viu-se obrigado a contratar Diego López para superar a baixa do capitão blanco e no regresso após lesão não lhe devolveu a titularidade.
A decisão do técnico português chocou adeptos e imprensa espanhola, que então iniciaram uma campanha que durou meses a favor do guardião e conta o técnico setubalense, que acabou mesmo por ser considerado o elo mais fraco numa temporada em que o Real Madrid não ganhou nada.
Na época passada, Carlo Ancelotti conseguiu gerir a situação da baliza sem causar tanto ruído, dividindo a titularidade da baliza por competições, entre Casillas e López, oferecendo a Iker a honra da titularidade na final da Liga dos Campeões. O eterno dono da baliza merengue esteve perto de ser considerado o vilão do duelo do Estádio da Luz, ao ser o principal responsável pelo golo que deu vantagem ao At. Madrid até ao período de descontos, mas o final foi feliz esse episódio esquecido.
A baliza voltou a ser o tema de maior conversa no início desta temporada, com Keylor Navas a ser contratado, Diego López vendido e Iker Casillas a ficar... com a titularidade. Com um dos melhores guarda-redes do Mundo no banco, os adeptos têm vindo a perder cada vez mais a paciência para os erros do espanhol e a derrota desta terça-feira pode ter sido a gota de água.