Morais e o regresso de Mourinho ao Real Madrid: «O melhor treinador do mundo e o melhor clube do mundo, é o casamento perfeito»
Treinador do Al Sharjah e ex-adjunto do 'Special One' em entrevista a Record
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Aos 61 anos, José Morais parte para a segunda época no Al Sharjah, emblema dos Emirados Árabes Unidos. Na primeira temporada, na qual entrou em dezembro, festejou a conquista da Supertaça da Liga dos Emirados e Supertaça Qatar/Emirados e, em entrevista a Record, olha com otimismo para os próximos desafios. Na carreira conta ainda com etapas como elemento na equipa técnica de José Mourinho no Inter, Real Madrid e Chelsea. A amizade com o Special One mantém-se, assim como a confiança de que vai voltar a ter sucesso neste regresso ao Real Madrid.
RECORD - Trabalhou com Mourinho no Real Madrid. Está de volta à capital espanhola. O que espera desta segunda passagem?
JOSÉ MORAIS - Não posso dizer que conheço o que se passa hoje no Real Madrid, mas conheço a ambição do clube e vivi três anos nesse ambiente. É um desafio enorme, mas estes também são os desafios que toda a gente quer, mas que nem todos conseguem superar. Relativamente ao que conheço do José Mourinho, com a exigência, competência e capacidade que tem, sei que se sente confortável num ambiente como este, principalmente, no momento atual do clube. Penso que é a pessoa ideal para estar ao leme. É um clube que tem condições para lutar por todas as competições, porque estamos a falar do Real Madrid, onde não basta só competir, é preciso ganhar. Não há ninguém como José Mourinho que conheça tão bem e lide tão bem com essa exigência de ganhar. É um treinador que ganha por onde passa. Falamos de um treinador diferente de há uns anos, que hoje tem mais experiências e que acrescenta sempre alguma coisa. Ele tem vivido tantas situações e trabalho com tantos jogadores e culturas diferentes, e tem conseguido vitórias em todos estes contextos, independentemente do grau de dificuldade. Temos o melhor treinador do mundo e o melhor clube do mundo, é o casamento perfeito. A essência do clube e a essência competitiva do próprio treinador existem e isso são premonições para as boas coisas que estarão no caminho e poderão vir a acontecer. Esse é também o meu desejo e ficarei muito feliz, não só pessoalmente, porque é uma pessoa que admiro bastante, mas também porque é um treinador português, num patamar onde não temos ninguém. Temos vários treinadores portugueses que são bons, mas o special one só há mesmo um, que é ele.
R - A ‘luta’ de egos é a principal dificuldade?
JM - A experiência de um treinador é muito importante e a experiência não é, apenas, ter muitos anos. É viver muitas situações. A vivência dessas muitas situações em contextos diferentes, com jogadores diferentes, onde se ganha troféus. O ego existe em cada ser humano, uns mais e outros menos, pode ser utilizado pela positiva, na liderança, não sendo forçosamente algo negativo. É importante entender o ego do jogador e direcioná-lo para aquilo que são os objetivos da equipa e do clube. Quando o treinador tem essa capacidade, que acho que o José Mourinho tem, o ego não é um problema. É um desafio grande para qualquer treinador, mas é superado em função do conhecimento e da experiência. Conta muita saber lidar com diferentes personalidades e egos diferentes e, por isso, há treinadores que são escolhidos para determinados clubes.