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O United-Liverpool, que poderia decidir já o título inglês, tornou-se uma confusão dos diabos e num caso de polícia. Horas antes da partida, agendada para as 16h30, centenas de adeptos dos red devils concentraram-se – uns junto ao hotel onde estavam Bruno Fernandes e restantes jogadores, outros em Old Trafford – em protesto com os irmãos Glazer, os proprietários do clube. A manifestação depressa ficou incontrolável e algumas centenas de pessoas conseguiram entrar no estádio e, posteriormente, no relvado, forçando à suspensão do jogo. Em reunião, os clubes, o árbitro Michael Oliver e a Premier League acabaram por adiar o desafio por razões de segurança para data ainda definir. E o City lá teve de manter o champanhe no gelo.
Nas redes sociais ‘choveram’ publicações dos incidentes, nas quais se podem ver os adeptos no relvado. Uns aproveitaram para tirar fotografias em cima da baliza, outros levaram as bandeirolas de canto como ‘recordação’. Antes da intervenção das autoridades, registou-se o arremesso de uma tocha para a zona onde estava a equipa de reportagem da Sky Sports, devido à presença de Carragher, antigo capitão do Liverpool e agora comentador. Já fora do estádio, as forças policiais conseguiram afastar os adeptos, após uma ação mais musculada, em que se registaram confrontos e arremesso de garrafas que feriram, pelo menos, um agente.
“Os nossos adeptos são apaixonados pelo Manchester United e compreendemos perfeitamente que têm o direto de se expressar e protestar de forma pacífica. Contudo, lamentamos a situação por ter afetado a equipa, mas também por terem colocado em risco outros adeptos, staff e agentes de autoridade. Agradecemos à polícia pelo apoio e iremos ajudá-la nas investigações”, pode ler-se no comunicado do Manchester United. O Liverpool também se manifestou a favor do adiamento, enquanto a Premier League condenou “os atos de violência, danos materiais e invasão” de “uma minoria”.
Os adeptos prometem continuar com os protestos, em crescendo desde o apoio do clube à criação da Superliga. “Não vamos parar”, gritaram. Gary Neville, glória do United e agora comentador da Sky Sports, deu voz às reivindicações dos fãs. “Os adeptos do United estão fartos. Isto é um aviso aos donos do clube de que os adeptos não confiam neles e entendem que devem sair. São precisas reformas e leis para garantir que não voltem a fazer isso”, vincou, numa referência à regra dos ‘50+1’ que vigora na Alemanha há vários anos e que os ingleses agora reclamam, de modo a que um investidor privado só possa ter, no máximo, 49% das ações de um clube.
Por Aurélio de Macedo