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A conferência de imprensa de Pep Guardiola de antevisão ao jogo desta quarta-feira com o Newcastle (20h), da 2.ª mão das meias-finais da Taça de Inglaterra, ficou marcada pelas palavras do treinador sobre as guerras em todo o mundo, isto depois de ter falado sobre a situação do Manchester City na Premier League. Visivelmente incomodado, o espanhol disse que as imagens são claras e que é um problema da humanidade.
“Nunca, em momento algum da história da humanidade - nunca, mas nunca, tivemos a informação à frente dos nossos olhos, a assistir de forma tão clara como agora: o genocídio na Palestina, o que aconteceu na Ucrânia, o que aconteceu na Rússia, o que aconteceu em todo o mundo, no Sudão, em todo o lado. O que aconteceu à nossa frente. Querem ver? É o nosso problema enquanto seres humanos. São os nossos problemas. No fim de contas, são imagens, não é uma interpretação de uma boa ou má jogada, do que aconteceu aqui ou ali, se devias utilizar este ou aquele jogador", começou por referir.
Um jornalista presente na sala de imprensa questionou depois Pep Guardiola sobre o assunto, recebendo elogios do treinador.
"Agradeço-te porque é a primeira vez em 10 anos que um jornalista me pergunta sobre isto. Parece que não têm autorização para o fazer no vosso trabalho, não sei. Mas haverá alguém que veja as imagens de todo o mundo e que não fique afetado? Aqui, não é uma questão de estar certo ou errado. Haverá alguém aqui que não fique afetado pelo que acontece todos os santos dias? Hoje, conseguimos vê-lo. Antes, não conseguíamos. Dói-me. A mim, dói-me. Se fosse o lado oposto, doer-me-ia da mesma forma. Desejar o mal a outro país? Dói-me. Não tem a ver com a posição política. Matar milhares de pessoas inocentes, dói-me. Tenho muitos amigos de muitos, muitos países, imensos amigos, mas quando tens uma ideia e precisas de a defender, e para isso tens de matar milhares, milhares de pessoas, lamento, mas eu vou levantar-me; estarei sempre presente. Sempre".
E prosseguiu: "Não consigo imaginar como é que alguém pode não sentir isto quando vê as imagens todos os santos dias - os pais, as mães, as crianças, depois de ter acontecido o que aconteceu, as suas vidas a serem destruídas — e as pessoas não sentem? Lamento, mas não consigo compreender isso".
"Podemos concordar, podemos criticar uma coisa ou outra, mas, quando tens uma ideia, tens de a expressar; porém, quando as pessoas estão a morrer, tens de as ajudar. Proteger a vida é a única coisa que temos. O que acontece agora, com todos os avanços tecnológicos que temos — a humanidade está melhor do que nunca em termos de possibilidades, conseguimos chegar à Lua, conseguimos fazer tudo - ,mas ainda assim, neste exato momento, matamo-nos uns aos outros. Para quê? Para quê?", acrescentou.
Por Teresa Dinis Oliveira
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