Chris Kirkland, antigo guarda-redes do Liverpool, revelou, em entrevista ao 'The Guardian', que passou por alguns momentos difíceis durante a carreira, nomeadamente quando começou a desenvolver um vício por analgésicos.
"Tomava-os e a certa altura pensei que ia morrer. Simplesmente deixei de saber quem era. Não me lembrava onde ficava a minha casa. Só lá conseguia chegar porque tinha o GPS definido para a localização, então ia sempre lá parar. De outra forma, não sei onde podia ter acabado", começou por dizer o antigo guardião inglês.
E prosseguiu: "Estava muito doente, dormia cerca de 18 horas. Acordava, ia ao carro, pegava nos comprimidos e mandava-os pela sanita. Depois ligava aos médicos e dizia: 'Perdi os comprimidos, preciso de mais'. Comprava da Internet, de qualquer maneira que pudesse. Havia alturas em que devia ter ido a sítios e acabei por não ir porque tinha tomado muitos comprimidos. Dava desculpas e dizia que tinha tido um furo [no carro] ou algo do género".
Kirkland recorda ainda um momento da carreira onde chegou a estar numa sessão de grupo junto a "pessoas com outros vícios relacionados a álcool, drogas e apostas". "Eu não estou assim tão mal, o que é que estou aqui a fazer?".
A certa altura, Kirkland explica que teve de ser proibido de receber cartas, uma vez que mandava vir comprimidos por correio, e fez uma retrospectiva ao ano de 2016 quando assinou pelo Bury. "O carteiro sabia que não me podia dar cartas ou encomendas porque eu estava a comprar as coisas da Internet. Agora ele sabe que nunca me pode entregar nada. [Assinar pelo Bury] Nunca o deveria ter feito. Uma vez ficámos em Portugal durante a pré-temporada e eu estava muito mal. Não queria estar ali, só queria voltar para casa. Liguei para a minha mulher e disse-lhe: 'Estou viciado em analgésicos, preciso de ajuda'", concluiu.
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