Vinícius e o momento em que quase desistiu da carreira: «Já não dá mais para mim»

• Foto: Frames: Tottenham

Carlos Vinícius, avançado brasileiro que se encontra emprestado pelo Benfica ao Tottenham, revelou esta sexta-feira que esteve muito perto de abandonar o futebol antes de ingressar no Nápoles. Depois de várias passagens sem sucesso por clubes brasileiros, como o Caldense e Grêmio Anápolis, o ponta-de-lança recordou, numa longa entrevista aos canais do Tottenham, na companhia do compatriota Lucas Moura, os dois golos que mudaram o rumo daquela que poderia ser uma curta carreira.

"Cheguei ao Caldense, passei lá cerca de um ano, um ano e meio. Não tive oportunidades e fui para o Grémio Anápolis só que lá também não tinha muitas [oportunidades], só fiz um jogo oficial. Jogar pelo Caldense, pelo Grémio Anápolis, era sempre a mesma coisa: entrava nos jogos mas era sempre aquela coisinha. Nessa altura estava mesmo decidido a largar [o futebol]. Tinha a minha mulher e o meu filho, agora já tenho dois, mas naquela altura era só o David. E pensei: 'Vou largar, já não dá mais para mim', estava mesmo decidido", começou por referir o brasileiro, antes de explicar como o seu foco e determinação foram fundamentais para dar a volta por cima.

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"Depois fizemos um jogo-treino contra o Aparecidense numa quinta-feira e eu já ia decidido. 'Depois do jogo-treino vou parar', pensei eu. Fiz dois golos e recebi no final um convite do Real Sport Clube. Vim com aquele pensamento de que o mercado [de transferências] abria em janeiro, o meu contrato era de um ano, mas eu já tinha na cabeça que só tinha seis meses para provar [o que valia]. Tive de me focar, de qualquer maneira eu tinha de ficar. Já tinha 22 anos. Seis meses depois, assinei contrato com o Nápoles por cinco anos. [De um momento para o outro] Estava concentrado em parar de jogar, passado seis meses já estava com um contrato com o Nápoles", contou.

Depois, chega a passagem pelo Rio Ave, clube onde chegou o segundo momento em que Carlos Vinícius ponderou colocar um ponto final no seu percurso após a morte da sua mãe.

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"No primeiro ano fui emprestado ao Rio Ave. No primeiro jogo marquei logo um golo. Depois, a minha mãe faleceu. Foi quando voltei a ter dúvidas de novo. Estava bem [no clube] e tudo. Estava a marcar golos e tudo e a minha mãe morre [no Brasil]. Paragem cardíaca. Recebi a notícia de madrugada. Voltei a ter dúvidas [na carreira]. Pensei: 'Vou parar e voltar para lá'", revela, emocionado, o avançado brasileiro.

"Sempre que marcava um golo ela mostrava à cidade inteira. E pensei: 'Qual é a motivação agora para eu fazer golos? Ela agora já não vai estar mais cá para ver'. E disse: 'Vou parar, já chega. Já não dá mais para mim'. Foi quando Deus me ajudou: olhava para a minha mulher e para os meus filhos e eram o meu motivo para continuar. Se tivesse sozinho era certo que ia parar. A vida já não tinha mais sentido para mim. Só que eles são o meu motivo para continuar. Foi complicado. Até hoje é duro", apontou.

Por Sérgio Magalhães
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