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Ruben Amorim não dorme à sombra dos sucessos recentes. Questionado sobre a importância da vitória no dérbi contra o Inter, o treinador do Milan garantiu que é preciso virar a página rapidamente e continuar a evoluir, já a pensar no embate com o Ferencvaros, esta quinta-feira, na 4.ª jornada da fase regular da Liga Europa.
"O jogo com o Inter já é passado, o próximo é o mais importante. Foi bom vencer? Sim. Mas pensar só nos jogos grandes é uma mentalidade de equipa pequena, e ainda estou irritado com o jogo contra o Bolonha. Falei com os jogadores que, no clássico, vencemos porque nos mantivemos humildes e atentos aos detalhes, defendendo com a bola, sendo agressivos sem ela, compreendendo melhor o jogo, conseguindo ser completos em todos os setores, constantes pelos 90 minutos. Algo que acabámos por não ser em outros jogos. Amanhã, temos de fazer o mesmo, porque o Ferencvaros é uma equipa forte, habituada a vencer em qualquer contexto, que já tem 9 pontos e que vem a San Siro sem nada a perder. Nós temos apenas 3 pontos e temos de vencer", começou por afirmar.
Amorim não esquece especialmente a derrota na receção ao Benfica, no arranque da campanha na Liga Europa, isto quando foi questionado sobre se gosta mais da versão do Milan na Serie A ou na Europa. "Não estou satisfeito nem com uma, nem com outra, mas é difícil de explicar a diferença entre a Serie A e a Liga Europa. Tivemos mais a bola contra o Benfica, mas não jogamos bem. Vencemos muito bem em Salzburgo, e contra o Bournemouth tivemos a expulsão e dois penáltis contra. Talvez a rotação que temos de fazer mude a nossa forma de jogar, porque temos de ter atenção à condição física de certos jogadores. Não nos podemos dar ao luxo de ter mais lesionados. Optando por não poupar ninguém, podemos perder um atleta por um mês, um mês e meio ou mais", acrescentou.
O treinador português deixou ainda bem claro que só quer ganhar... e continuar a ganhar. "Quando conquistarmos o Scudetto ou outro título importante, talvez aí eu me emocione. Até esse momento, é apenas mais um dia. Dito isso, eu não esperava vivenciar este tipo de sentimento durante o jogo e Cardinale também não. Ele deu uma entrevista importante na qual declarou o seu apoio ao treinador. Havia uma atmosfera maravilhosa no estádio. Ele realmente aproveitou o momento e ficou comovido. É americano mas quando passas um tempo aqui, acabas por tornar-te um pouco italiano. Pessoalmente, no entanto, não me vou emocionar até ter conquistado algo. E, assim que eu conquistar algo, já estarei a pensar no próximo Scudetto. Duvido que vocês algum dia me vejam emocionado", comentou, sobre as imagens do CEO do Milan no triunfo frente ao Inter.
A finalizar, Ruben Amorim prometeu exigência máxima na procura por algo que fique perto da perfeição. "Costumam perguntar-me quando atingiremos o nosso auge. Devo dizer que nunca chegaremos lá, mesmo que ganhássemos todos os jogos, porque precisamos de estar sempre a evoluir. Já temos uma identidade. Queremos dominar os jogos, às vezes conseguimos, outras vezes não. Por vezes, chegamos a alterar a nossa formação ou a nossa estrutura defensiva sem que ninguém perceba. A nossa identidade é sermos proativos. O que ainda nos falta é a capacidade de encurralar os adversários na sua própria área para criar mais oportunidades. De qualquer forma, estamos a jogar melhor e a lidar melhor com os momentos do jogo. Mas ainda há muito trabalho a ser feito, especialmente nos últimos 30 metros. E é a minha função ajudar os meus jogadores nisso", rematou.
Por Pedro Gonçalo Pinto