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Jorge Mendes colocou o tónico na "credibilidade" para explicar a "relação muito boa com os clubes". O superagente congratulou-se por ter as portas abertas em todo o mundo e lembrou que os principais emblemas nacionais estão dependentes dos milhões gerados pelas transferências da Gestifute para equilibrarem os seus orçamentos todas as épocas.
"O que custa em Portugal e no outros lados é vender, porque trazer jogadores, podemos trazer com os amigos, com toda a gente... Vender é mais difícil. No Benfica, no FC Porto, no Sporting, no Sp. Braga, no Vitória, em todos os lados, em todos os clubes, os orçamentos dos clubes já contam com as transferências da Gestifute, já fazem parte do orçamento, e essa credibilidade é muito importante cultivar, essa tal muito boa relação com os clubes. E, hoje em dia, graças a Deus, a nível mundial, tenho as portas abertas em todo lado, conheço toda a gente, mas para isso, para chegar a esse ponto, é só com muito trabalho, com muito sacrifício, com muitas viagens", destacou Jorge Mendes, recordando os milhões que a Gestifute já trouxe para Portugal: "A Gestifute, até à data, já trouxe para Portugal algo a caminho dos 3.000 milhões de euros. Para vos dar um exemplo, se calhar, o segundo, e vocês não vão encontrar, o segundo agente mais importante no mundo poderá ter levado para o seu país no máximo 500 milhões de euros."
Entre várias histórias curiosas que Jorge Mendes contou, destaque para transferência de Pedro Neto do Sp. Braga para a Lazio e posterior passagem para o Wolverhampton.
"Tive situações em que não conhecia os jogadores de lado nenhum, como o Pedro Neto. Falei com o presidente do Sp. Braga, o [António] Salvador, ele necessitava de dinheiro para construir a academia e eu disse-lhe ‘eu escolho o jogador, porque não me importa se é conhecido ou não. É a minha credibilidade que está em causa, por isso eu escolho o jogador’. Escolhi o Pedro Neto, que tinha jogado cinco minutos no Sp. Braga. Fiz uma viagem a Itália e andei mais de carro pelos montes do que por autoestradas. Quando lá cheguei, o diretor desportivo estava ao meu lado, que era meu amigo, mas nunca lhe tinha falado do jogador. Disse-lhe ‘acreditas em mim? Então vais comprar este jogador, nunca te vais arrepender. O teu treinador aposta em jovens jogadores’, que era o [Simone] Inzaghi. Custava à volta de 20 milhões de euros, que era muito dinheiro para um jogador que nunca tinha jogado, mas ele comprou. É verdade que não jogou muito, porque era jovem. A partir de determinada altura, ele começou a ficar preocupado [diretor desportivo da Lazio], questionando-se se tinha feito um mau investimento no jogador. Disse-lhe ‘não te preocupes que eu vou resolver o problema’. Levei o jogador para o Wolverhampton e ele ainda recebeu três milhões a mais do que o que gastou", recordou o superagente, reforçando que "essa preocupação é fundamental para manter a credibilidade junto de todos os clubes".
Jorge Mendes, refira-se, foi o convidado principal de uma conversa dedicada a "liderança, estratégia e negociação no mundo do futebol", no âmbito da conferência "Leading the Game", no âmbito do MBA Executivo em Futebol, da Católica Porto SBE e Liga Portugal Business School