Mulherengo, pândego e vítima da Camorra: a vida de Borriello dava um filme

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Avançado italiano, de 36 anos, joga agora na 2ª divisão espanhola, em Ibiza

Com uma história de vida que dava um filme, Marco Borriello chegou a Ibiza esta temporada determinado a ajudar o clube local (da 2ª Divisão) a subir ao escalão mais alto do futebol espanhol. Não deixa de ser irónico que o avançado italiano tenha escolhido Ibiza, uma ilha conhecida pela animação noturna, mas o jogador de 36 anos garante que a vida de pândega, mulheres e diversão já lá vai. "Sei que há muita ironia na minha escolha", admitiu, numa entrevista à 'Gazzetta dello Sport'.

A vida de Borriello nem sempre foi diversão. Sobretudo na infância. O jogador nasceu em Nápoles, num dos bairros mais complicados da cidade, dominado pela máfia e rodeado por tiroteios. O pai morreu quando tinha onze anos, assassinado pela Camorra devido a uma dívida que não conseguiu pagar.

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"Penso no meu pai todos os dias. Chamava-se Vittorio, era ruivo e tinha olhos verdes. Diz-se que durante a guerra a minha avó teve um amante inglês e que ele herdou um pouco da elegância e da sofisticação britânica. Quando a Camorra matou o meu pai eu era um miúdo, tinha apenas 11 anos. O futebol ajudou-me a olhar em frente e sei que hoje ele estaria orgulhoso de mim. Ele era adepto do Nápoles", conta Barriello.

Mulherengo, pândego e vítima da Camorra: a vida de Borriello dava um filme

A escalada de violência entre clãs rivais no final do século passado em Nápoles obrigou a mãe de Borriello a mudar de bairro e quando Marco tinha 14 anos surgiu a oportunidade de ingressar na academia de formação do Bolonha. Ela nem hesitou. "Foi difícil separar-me da minha mãe, mas ela sabia que no bairro eu não estava seguro e incitou-me a ir." A mãe visitava-o a cada dois meses e paulatinamente o pequeno Marco foi crescendo, tornou-se homem e num grande jogador.

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Mas só aos 18 anos 'pegou de estaca', quando um olheiro do Milan se deparou com aquele extremo esquerdo habilidoso. Mesmo assim, ainda andou perdido pelos escalões secundários de Itália durante alguns anos, mas depois jogou em equipas como Treviso, Génova, Reggina, Juventus, Roma, Sampdoria, SPAL... Uma carreira praticamente toda feita em Itália, com a conquista de títulos - incluindo uma Liga dos Campeões pelo Milan (clube onde regressou duas vezes) -, e com passagens pela seleção.

Mas em todo este percurso adquiriu fama de festivaleiro e mulherengo. "Era só nos meses de verão, quando não havia campeonato. Em todos os sítios onde joguei fui sempre um ídolo para os adeptos... Por um lado, as fotos em que apareci com todas essas mulheres bonitas prejudicaram-me, mas por outro deram-me visibilidade."

Marco passou por um desgosto amoroso, que foi acompanhado ao vivo por todo o país. O jogador namorava com uma concorrente de um 'reality show' italiano (uma espécie de 'ilha dos famosos') e viu, sentado no sofá, a companheira traí-lo com outro concorrente. "A mulher ideal tem de ter dignidade, deve ser bela, sensível e inteligente", conta Marco na entrevista à 'Gazzetta dello Sport'. "Espero encontrar a mulher adequada e com ela ter filhos. Comprei casas em todo o mundo e sempre me imaginei com a minha família em cada uma delas."

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Será que vai encontrar a cara-metade em Ibiza? Borriello garante estar focadíssimo nos objetivos do clube. "Fiz muitos sacrifícios e renúncias, mas gostei da vida que tive até agora. Tive muitas mulheres, joguei em grandes equipas e agora encontrei algum equilíbrio. Tenho muitas ideias para colocar em prática e estou convencido que este projeto do Ibiza é o mais importante da minha vida."

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