Presidente da Lazio ‘descuida-se’ ao abordar racismo em Itália

Numa altura em que o futebol italiano tenta gerir da melhor forma uma crescente onda de racismo nos estádios da Serie A, o presidente da Lazio veio a terreiro para tentar colocar alguma água na fervura. Contudo, Claudio Lotito, que sempre foi um homem que não se preocupa muito com a imagem que deixa, borrou a pintura. E de que maneira…

"Esses gritos a imitar macacos nem sempre correspondem a atos racistas ou discriminatórios. Lembro-me que quando era pequeno, as pessoas que não eram de cor, que tinham pele normal, branca, frequentemente usavam esse grito para atrapalhar o avançado adversário à frente do guarda-redes", disse o presidente da Lazio.

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"Nós temos que tratar isso individualmente. Nós temos muitos jogadores negros. Não acho que a Lazio faça distinção em termos de cor da pele. A conduta da Lazio nesse aspeto está aí para que todos vejam", rematou.

Estas declarações criaram uma tremenda onda de consternação por terras italianas. E por duas ordens de razão. Em primeiro lugar, o líder laziale descuidou-se e soltou um ‘pele normal, branca…’, algo que deixou a opinião público italiana em polvorosa.

Em segundo lugar, todos os seguidores do futebol italiano sabem que a Lazio é um clube muito associado à extrema direita, contando nas fileiras das suas claques com diversos elementos perigosos e que fazem da cultura nacionalista um dos motes da sua atação. Lotito lidera o clube desde 2004 e nunca tomou medidas sérias para afastar o estigma do racismo dos seus grupos de adeptos, que já chegaram a vetar a contratação de jogadores por serem negros.

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Por João Seixas
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