O INDIANO Viswanathan Anand conquistou, finalmente, um título que perseguia há muito tempo, ao sagrar-se o décimo quinto campeão mundial oficial (FIDE), sucedendo ao russo Khalifman. ”Vishy” voltou a ”vergar” o espanhol Alexei Shirov, na quarta partida da final de Teerão (Irão), à melhor de seis, e pôs um ponto final na discussão do ceptro, triunfando de forma categórica, por 3,5-0,5.
Momento histórico
Trata-se de um momento histórico para o xadrez mundial, tendo em conta que, pela primeira vez, um indiano – anfitrião do país que viu nascer a milenar modalidade –, é o novo rei dos tabuleiros e, ao mesmo tempo, acabou com um longo reinado dos déspotas russos, que, desde 1972, quando o norte-americano Bobby Fischer ”roubou” o título a Boris Spassky, sempre se sentaram no trono.
”Vishy”, terceiro do ”ranking” internacional, vive o seu melhor momento da já longa carreira xadrezística, depois de impor-se categoricamente ante um duro adversário, o espanhol Alexei Shirov, que, com o seu jogo de ataque desmesurado, nunca conseguiu pôr em causa a confiança e segurança do opositor.
O indiano acabou por ser um justo vencedor. Nas eliminatórias, disputadas em Nova Deli (Índia), foi o xadrezista que se qualificou com mais facilidade, ultrapassando os adversários sem disputar os ”tie-break” de desempate, excepção feita quando encontrou pela frente o anterior detentor do ceptro, Alexander Khalifman, nos quartos-de-final, onde foram necessários seis jogos para decidir a contenda.
Shirov, por sua vez, desgastou-se muito mais, sendo obrigado a jogar desempates em todas as eliminatórias, que o obrigaram a ”correr” uma ”maratona” de 16 dias de competição consecutivas, para além de ter também participado nas Olimpíadas de Istambul, na Turquia, em Novembro.
A experiência de Anand também revelou-se um factor fundamental para o seu sucesso, já que jogou pela terceira vez a final de um título mundial.
Em 1995, perdeu o ceptro paralelo (PCA) ante o russo Garry Kasparov, num ”match” disputado em Nova Iorque e, três anos volvidos, foi derrotado pelo também russo Anatoly Karpov, em Lausane (1998).
Herdeiro de Capablanca
O estilo de jogo de Anand pode considerar-se herdeiro do mítico cubano Raul Capablanca (campeão mundial, em 1921), com um xadrez muito calculista, preciso e de grande capacidade técnica.
Tais atributos destruíram por completo o ”romantismo” de Shirov, influenciado por outra grande figura da história do xadrez, o letão Mikhail Tal, também ele campeão mundial (1960), pela antiga URSS.
Num ”match” onde se impunha uma grande prudência de ambas as partes, Shirov acabou por revelar-se um ”suícida” na forma como encarou as quatro partidas disputadas, pois o seu jogo de ataque foi sempre muito bem contrariado, com um rigor inabalável.
Acabaram por vencer os nervos de quem estava melhor preparado e mais determinado a conquistar o título, esperando-se, a breve trecho, um ”match” de reunificação do ceptro, entre Anand e o russo Kramnik, campeão WCC.
Ataque ineficaz de Shirov
O novo campeão mundial FIDE, o indiano Viwanathan Anand, voltou a revelar uma grande precisão defensiva na quarta (e última) partida do ”match” pelo ceptro, repetindo a mesma receita com que ganhou as restantes duas.
Shirov patenteou um jogo demasiado arriscado, com sacrifícios duvidosos e um ataque ineficaz, pelo que esta sua derrota pode ser considerada uma pequena ”humilhação” para o chamado ”xadrez romântico”.
Eis o jogo 4 da final do Mundial FIDE, em Teerão: Anand-Shirov (Defesa Francesa), 1.e4-e6, 2.d4-d5, 3.Cc3-Cf6, 4.e5-Cfd7, 5.Cce2-c5, 6.f4-Cc6, 7.c3-Db6, 8.Cf3-f6, 9.a3-Be7, 10.h4-0-0, 11.Th3-a5, 12.b3-Dc7, 13.Ceg1-a4, 14.b4-fxe5, 15.fxe5-Cxf5, 16.dxe5-Cxe5, 17.Cxe5-Dxe5, 18.De2-Axh4+, 19.Rd1-Df6, 20.Cf3-Dxc3, 21.Bb2-Db3+, 22.Rc1-e5, 23.Txh4-Bf5, 24.Dd1-e4, 25.Dxb3-axb3, 26.Cd2-e3, 27.Cf3-Tae8, 28.Rd1-c4, 29.Be2-Be4, 30.Rc1-Te6, 31.Bc3-Tg6, 32.Th2-Bd3, 33.Bxd3-cxd3, 34.Rb2-d2, 35.Rxb3-Tg3, 36.Rb2-g5, 37.Rc2-Tc8, 38.Rd3-g4, 39.Be5-Tc1, 40.Th1-Txg2, 41.Ch4 (1-0).
Nova Associação de Clubes tem como objetivo reforçar o desenvolvimento, competitividade e a sustentabilidade da modalidade
Minhotos triunfam por 3-1 no terceiro jogo dos quartos de final
Coimbra recebeu Nacionais
Clássica francesa teve 10 ciclistas gauleses no top 10
Adeptos locais assobiaram também o hino egípcio
Jogador representou a seleção da Bulgária por 102 vezes e era titular na equipa que chegou às meias-finais do Mundial de 1994
Valorizar jogador local é objetivo do novo Manager da academia do emblema da 3ª divisão
Noutro duelo de preparação, a Argentina goleou a Zâmbia com Otamendi a marcar
Trio do podcast 'The Rest Is Football' não coloca o esquadrão luso entre favoritos, mas lembra que... Ronaldo pode fazer a diferença
Homem processou clube de Glasgow há um mês