Columbofilia: Largada histórica

• Foto: FP Columbofilia

A Prova Nacional de Fundo Valência 2023 está em ação, esperando-se que, a partir de hoje, comecem a chegar, a diferentes pontos do país, os mais de 40 mil pombos-correio que foram soltos da cidade de Espanha, a cerca de 700 quilómetros da fronteira portuguesa. Trata-se de uma largada de pombos-correio sem precedentes, a maior da Europa e com organização da Federação Portuguesa de Columbofilia (FPC), que conta com o envolvimento e entusiasmo de oito mil columbófilos, em representação de 400 clubes, de 14 associações distritais.

A competição tem o apoio do Instituto Português do Desporto e Juventude (IPDJ) e é uma das mais importantes do calendário internacional, atraindo praticantes de todo o mundo, muitos deles sediados em Portugal. Os pombos-correio vão ser postos à prova, numa aventura de grande exigência e espetacularidade, sendo uma oportunidade única para os amantes da modalidade assistirem a um evento incrível, em exemplo organizativo de grande nível, que ficará na história.

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Mal raiou a luz do dia, os pombos-correio, devidamente anilhados com um chip auxiliar, foram soltos de 15 camiões TIR, numa competição que medirá a velocidade média de cada um, que chega a ser de 70 km/h. O mais veloz será o vencedor, tendo como ponto de chegada o pombal do seu respetivo dono, localizados de norte a sul do país.

Existem riscos, como sejam os cabos elétricos ou as aves de rapina, que vitimam muitas destas preciosidades, deixando os columbófilos em estado de ansiedade. Mas, se tudo correr bem, vem o alívio, quando os ‘atletas’ cortam a meta. 

‘Atletas’ com 10 horas de voo pela frente

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A logística da Prova Nacional de Fundo Valência 2023 envolveu meios consideráveis, o que permitiu a solta dos pombos-correio ao início do dia de hoje, para o voo dos ‘atletas’, que poderá durar até 10 horas. As 40 mil aves foram entregues, na quinta-feira, pelos colombófilos às entidades envolvidas na organização em diferentes pontos do país, o chamado encestamento, e transportadas até Valência em 15 camiões TIR, com 250 cestos cada um, devidamente equipados e preparados para garantir o bem-estar e segurança dos animais, que terão de viajar nestas condições até à costa mediterrânica. Já em Valência, os pombos-correio foram alimentados com cereal e abeberados, tendo um período de descanso e recuperação antes do tiro de partida.

"São como nossos filhos"

Almerindo Mota é o diretor desportivo da Prova Nacional de Fundo Valência 2023 e explicou o porquê de hoje ser o grande dia da columbofilia: "Os adeptos vão falar a mesma língua, conviver nos almoços dos clubes e ver os pombos a chegar a casa. É uma paixão, os pombos são como nossos filhos, alimentamos, tratamos da higiene, apuramos a raça e a capacidade física, vemos eles a crescer. É um animal muito resistente e inteligente, num bando de 60 consigo distinguir cada um deles. É um escape que ajuda a aliviar o stress do dia a dia." 

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"Mesmo longe acompanho"

José Peseiro, antigo treinador do Sporting e FC Porto, e selecionador da Nigéria, é columbófilo com créditos firmados: "Foi paixão desde jovem, tinha uns 12 anos, após relacionamento com adeptos da modalidade, em Coruche. Há seis anos, criei um pombal, tendo como sócios o meu irmão Carlos Peseiro e José Manuel, que tratam dos pombos quando eu não estou por razões profissionais. Mas mesmo longe, tenho uma aplicação para acompanhar o resultado dos concursos."

Por Alexandre Reis
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